Posts Tagged ‘ousadia’
Sustentabilidade: os limites da razão
Durante os últimos 10 anos tenho me dedicado à sustentabilidade de forma intensa. Atuo no mundo das empresas, mas também passei pelo terceiro setor e pelo governo. Sempre que os ouvia falar sobre esse assunto, predominava um consenso de que as transformações deveriam ser, acima de tudo, culturais.
Ao mesmo tempo em que concordava, questionava-me: como uma cultura muda ? Antropólogo de formação, aprendi a respeitar esse termo: cultura é algo que para nós, antropólogos, não é tão mecanicamente mutável por vontade, mas resultante de um processo de maior complexidade e de um todo que não se controla facilmente. A cultura é dada e muda a partir um conjunto de vetores muito mais amplos do que meros segmentos da sociedade (como por exemplo, uma empresa). A mídia, a literatura, o cinema, as condições econômicas, os governos, as ideologias religiosas e tantas outras fontes de contribuição para a construção cultural, fazem com que seja complexo imaginar a possibilidade de que mudaremos a cultura de uma empresa – na profundidade exigida pela sustentabilidade – como se esta fosse um ente isolado dos demais. Read the rest of this entry »
Sustentabilidade e orçamento apertado: dá ?
Não restam dúvidas que o mundo passa por processo de reestruturação econômica e geopolítica, para não falar de outros. Desde a crise de 2008, quando o sistema econômico global foi assolado pela crise dos subprime, passando pela crescente condição crítica de países europeus, os efeitos reverberam gradativamente na economia brasileira. Sustentada por um mercado interno robusto e um arcabouço legal mais efetivo para o sistema financeiro que em outros países (marco legal, espaço para redução dos juros, outros), empresas no Brasil que dependem do mercado doméstico têm conseguido passar relativamente ilesas. Todavia, para empresas que operam no Brasil com suas matrizes no exterior as restrições orçamentárias, a crescente importância nos resultados globais das operações locais e a necessidade de aumentar as contribuições em remessas para suas origens, acabam por criar uma situação local restritiva independente das condições do mercado brasileiro, impactando inclusive os resultados de empresas eminentemente locais. Não é por outra razão que o Governo Federal, há poucas semanas, fez um movimento para dar uma paulada nos juros cobrados pelo sistema financeiro, via Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Em resumo, sejam nacionais ou estrangeiras, a ordem nas empresas é: apertar o cinto, focar no que é prioridade. Neste contexto, onde fica a sustentabilidade ? Read the rest of this entry »
Negócios sociais: os demais não são ?
Depois de meu primeiro post “Destilando”, resolvi aprofundar cada um dos cinco vetores de transformação social, criando assim um novo post, o “Sustentabilidade: onde estamos. Para onde vamos”. Lendo-o novamente hoje pela manhã, fiquei estimulado a mergulhar um pouco mais em um aspecto nele citado, reproduzido no seguinte trecho:
…o que conseguiram, isso é certo, foi a criação de uma forma de repensar certas práticas inserindo nelas novas variáveis. Penso que o foco motivador foi descobrir uma nova forma de tratar um problema a partir das mesmas premissas anteriores e não a criação de uma nova premissa transformadora da realidade…. Read the rest of this entry »
Chega de só falar
As vezes sinto que algo me incomoda muito no discurso da sustentabilidade aqui no Brasil. Sempre os mesmos interlocutores, sempre os mesmos protagonistas, as mesmas empresas, as mesmas entidades. E o pior: o mesmo discurso.
Nos últimos 10 anos o viés de resultado tem sido relativamente o mesmo: pactos, protocolos, códigos, regras, guias, pesquisas. Um certo “panfletarismo” em excesso e sem fim. Além dessas, outras abordagens propondo reflexões transcendentais, felicidade como alvo, bucolismo rural como resposta à urbanização desenfreada, o romantismo de uma humanidade que nunca existiu e de certo não haverá de existir tão cedo. Read the rest of this entry »
Simplificar para encontrar a essência
Em meu último post, comentei que estaria participando da Conferência Internacional do GRI que ocorreu no final de maio na Holanda. Estive lá. Demorei um pouco a escrever o post porque gostaria de ver, primeiramente, o que sairia a respeito na mídia e em outros blogs, mas como não sou repórter e não tenho preocupação com “furos”, li tudo o que escreveram e resolvi seguir por uma linha menos repetitiva.
Não vou falar que a maior delegação era a brasileira. Também não vou falar que os prêmios vieram em grande parte para os relatórios brasileiros. Isso você já deve estar sabendo. Também não vou falar sobre as palestras oficiais, ao contrário, prefiro comentar sobre o que conversei com pessoas que lá estavam, o que estavam achando de tudo aquilo, para onde as coisas deviam caminhar a partir de então. Read the rest of this entry »
Relatórios de Sustentabilidade: efeito manada ?
De 26 a 28 de maio próximo, deverá ocorrer em Amsterdam a Conferência Global de Sustentabilidade e Transparência promovida pelo GRI. Como estarei lá para conferir os resultados, resgatei dados de pesquisas recentes sobre os efeitos dos relatórios de sustentabilidade, até para poder nortear meu olhar no encontro. O post de hoje traz algumas das principais informações e reflexões a respeito. Read the rest of this entry »