Capital natural: transparência e gestão como estratégias de mitigação de risco

Pela primeira vez, o Relatório do CDP na América Latina aborda o tema “capital natural”, pois além da Mudança Climática aborda também os resultados dos programas Água e Florestas. O relatório apresenta as ações que as empresas têm desenvolvido  rumo a um sistema econômico que opere dentro de bases sustentáveis. O acordo de Paris aprovado em tempo recorde e os ODS  – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU são sinais de uma nova realidade.

A Gestão Origami é parceira institucional do CDP desde 2013 e responsável pela implementação da metodologia de scoring para avaliação e orientação das empresas participantes do programa no Brasil. Em 2016, fomos os responsáveis pela elaboração do relatório que pode ser acessado em http://cdpla.net/relatorio/.

Alguns destaques:

Mudança Climática

·    115 empresas da América Latina responderam ao CDP. 62% dessas empresas são brasileiras, seguidas por 27% do México e 13% da Colombia. A maior parte das empresas estão nos setores de energia, financeiro, industrial e de bens de consumo.

·    Apenas 17 empresas não relataram suas emissões de GEE. As maiores emissões de GEE estão nos setores extrativista, industrial e de energia, respectivamente.

·    Nesses setores estão os projetos que trazem maior redução de GEE. No total, as iniciativas reportadas ao CDP evitaram a emissão de 19,3 MtCOe, o que representa 7% das emissões de escopo 1 e 2 reportadas.

·    A maior parte das iniciativas de redução de emissões é relacionada à eficiência energética, seja de processo ou de prédios. Isso se justifica normalmente em função do payback curto a médio.

·    56% das empresas já estabelecem metas de redução de emissões, no entanto apenas 9 delas afirmam que definiram suas metas com base na ciência. Por outro lado, a maioria pretende faze-lo nos próximos 2 anos.

·    Das metas estabelecidas, pode-se identificar que elas possuem prazo curto, entre 2015 e 2020, o que demonstra que ainda é necessário considerar o tema na estratégia de longo prazo das empresas.

·    Apenas 17% das empresas da América Latina já definiram preço interno de carbono, outras 23% pretendem definir nos próximos 2 anos. Mesmo assim, a maioria, 60%, não tem a intenção de defini-lo nos próximos 2 anos.

·    A maioria das empresas já identificam riscos das mudanças climáticas, sejam eles físicos ou regulatórios. Tais riscos são virtualmente certos ou prováveis para a maior parte das empresas. A magnitude dos riscos físicos é considerada alta para 50% das empresas e dos riscos regulatórias é alta para 31% das empresas. Além disso, a grande parte dos riscos são esperados imediatamente ou em até 3 anos.

·    Embora os riscos existam, sejam prováveis e de curto prazo, ainda são poucas as empresas que identificam de forma clara os impactos financeiros potenciais e como gerenciá-los.

Água

·    Em 2016, 24 empresas da América Latina, de 31 convidadas, responderam ao CDP, estando também a maior parte no Brasil e nos setores de bens de consumo, extrativista de industrial.

·    A maior parte das empresas teve sua compra, consumo e descarte de água menor do que no ano anterior, o que representa que as empresas já estão tomando atitude frente ao stress hídrico.

·    As principais estratégias de respostas frente aos impactos relacionados à água são: investimento em infraestrutura, novas tecnologias e promoções de melhores práticas e conscientização.

·    O maior impacto sofrido em relação a água é físico e, principalmente, sofrido pelo setor de bens de consumo. Entre os riscos mais citados estão: dependência de energia hídrica, escassez de água e declínio da qualidade.

Floresta

·    Assim como água, o tema floresta tem relação direta com a mudança do clima, já que o desmatamento contribui com 15 a 20% das emissões de GEE. O programa floresta trabalha para eliminar o desmatamento impulsionado por commodities agropecuárias, como soja, óleo de palma, gado bovino, bem como madeira, papel e celulose.

·    17 empresas, de um total de 48 empresas convidadas, responderam ao programa Floresta, sendo a maioria do Brasil e dos setores de alimentos e bebidas, bem como do setor florestal, de papel e celulose e madeira.

·    76% dessas empresas já possuem compromisso de reduzir e/ou eliminar o desmatamento nas operações diretas e/ou na cadeia de valor. Para isso, muitas empresas possuem sistema de rastreabilidade e monitoramento da origem das suas matérias primas. As principais commodities rastreadas são madeira e gado.

·    As ações de combate ao desmatamento são realizadas, muitas vezes, na cadeia de valor. A maioria das empresas trabalha com pequenos agricultores para encorajar e apoiar práticas de gestão florestal sustentável.

·    A comercialização, produção e fornecimento de commodities de forma mais sustentável é vista pelas empresas que reportaram ao CDP como uma oportunidade de mercado e de aumento de valor da marca.

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