Case: como a Gestão Origami desenvolveu os fornecedores da Duratex

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Sendo a maior produtora de painéis de madeira, louças e metais sanitários do Hemisfério Sul, líder no mercado brasileiro de pisos laminados e um dos principais fabricantes de revestimentos cerâmicos do país, a Duratex usufrui de algumas vantagens no mercado, como, por exemplo, estar na mente do consumidor, ter alcançado um lugar ao sol. Mas ser líder também potencializa as responsabilidades e, com isso, aumenta-se os riscos em relação a tudo o que uma grande empresa movimenta. Desta forma, a gestão ineficaz ou inexistente da cadeia de fornecedores pode tornar-se o calcanhar de Aquiles de uma companhia.

Gestão de Fornecedores

Atenta a esse compromisso, a empresa criou e incrementa, desde 2012, o programa Gestão de Fornecedores Duratex (GFD), em parceria com a consultoria Gestão Origami. Com mais de 200 fornecedores qualificados até o momento, o programa inclui a aplicação de questionários de autoavaliação, visitas in loco, envio de relatórios de feedback e recomendações para o desenvolvimento de um plano de ação bastante específico para cada empresa parceira, com indicação de pontos fortes e pontos fracos, apoiando na sua adequação às questões socioambientais críticas ao seu negócio. “Neste último ano, como estamos sempre desenvolvendo o processo, adequamos o questionário para avaliar de forma distinta o pequeno, médio e grande fornecedor, em respeito às suas singularidades”, explica Bruno Vio, líder de projetos de Negócios Sustentáveis da Origami.

Um dos principais aspectos que permitem o sucesso do programa, segundo o consultor, é o envolvimento permanente da área de Suprimentos e não apenas da equipe de Sustentabilidade. Esse controle rigoroso desde o processo de compra garante que o método já inicie de forma qualificada. A gestão estruturada permite o monitoramento dos parceiros em relação a diversos riscos, inclusive de corresponsabilidade legal da companhia.

Foco no desenvolvimento dos fornecedores

O GFD divide-se, basicamente, em duas áreas: a gestão de riscos, com ações de combate a não-conformidades relacionadas a documentações e licenças de funcionamento, a relações trabalhistas, a questões de saúde e segurança, etc.; e o desenvolvimento dos fornecedores. Também neste segundo aspecto, os parceiros contam com a consultoria da Gestão Origami, oferecida pela Duratex, que não tem o papel de auditar, mas de dar apoio concreto para adequação das empresas, que acontece ainda durante as visitas quando já são fornecidas algumas orientações, que seguirão durante todo o processo, melhorando a performance do fornecedor. “Em diversos casos, ficamos em contato com o fornecedor após a visita, auxiliando-o no desenvolvimento de seu plano de ação e na resolução de suas pendências. Muitos deles nos veem como um apoio para aperfeiçoar o seu negócio e seu relacionamento com a Duratex”, constata Maíra Del Papa, co-responsável pelo programa na Origami.

Algumas mudanças estão em curso, como o critério de seleção das empresas que participam do GFD, que passa a priorizar aquelas que atuam nos setores de maior risco socioambiental e não as empresas com maior participação no spending da Duratex, como era feito anteriormente. Além disso, outra proposta é tornar o GFD um processo integral com adequação às Diretrizes da ISO 20400. “A Duratex tem planos bem ambiciosos para 2018, como ampliar a nota de desempenho destas empresas dentro do GFD, e assim garantir o engajamento e a qualificação de seus fornecedores”, destaca Vio. Tanto empenho vem sendo reconhecido: em 2017, a Duratex venceu o Guia Exame de Sustentabilidade na categoria Materiais de Construção, sendo considerada a empresa modelo do setor no Brasil. Esta é a terceira vez que a empresa conquista o prêmio e, pelo 9º ano seguido, foi selecionada para integrar a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial da BM&FBovespa (ISE 2016/2017), entre outros.

Reconhecimento dos fornecedores

Fruto do GFD, em 2014 foi lançado o Prêmio Melhores Fornecedores, que reconhece os parceiros mais engajados e que vêm qualificando o seu negócio. Na edição de 2017, além da premiação para cada setor de atuação (dividido entre PME e Grande Empresa), foram reconhecidos também os fornecedores mais engajados, ou seja, que colocaram o seu plano de ação na prática, e aquele que mais atuou no combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Confira as empresas vencedoras: http://bit.ly/MelhoresFornecedores2017.

Relação entre Performance Financeira e Sustentabilidade

“Hoje existe um entendimento de valor do programa e não mais de estranhamento por parte dos fornecedores, como acontecia inicialmente, e esse é um excelente indicativo de que o trabalho está no caminho certo”, comenta Vio. Com a qualificação, os fornecedores têm o retorno evidenciado na performance financeira, na mitigação de riscos e no aprimoramento de seus processos de gestão, para tornar-se cada vez mais sustentáveis e, portanto, contribuir de forma real para o bem-comum.

Fornecedores com baixo risco legal, social e ambiental normalmente usufruem de maior equilíbrio financeiro, pois o parceiro apresenta espaço para aumentar pedidos e para renegociar as condições comerciais, por exemplo. Em 2017, dos 111 fornecedores que responderam aos indicadores sobre performance financeira no questionário de autoavaliação, 26% demonstram relação entre performance financeira e sustentabilidade (veja outros números sobre os resultados de 2017 no final deste artigo).

Em 2017, 31 empresas foram selecionadas para receberem uma visita in loco da consultoria Gestão Origami, a partir de critérios como melhores e piores notas por setor, maiores evoluções e fornecedores com nota próxima a 8,0 ou abaixo de 6,0 no questionário de autoavaliação.

Resultados GFD 2017

Os resultados do GFD 2017 aponta dados significativos que demonstram o compromisso da Duratex e os avanços positivos e concretos atingidos:

  • 171 empresas convidadas;
  • 145 questionários respondidos (acréscimo de 16% em relação à edição anterior);
  • 31 visitas realizadas;
  • 7,21 de nota média geral (7,02 em 2016);
  • 27% dos fornecedores apresentaram nota de avaliação igual ou acima de 8 (31% em 2016);
  • 3% dos fornecedores apresentaram nota de avaliação igual ou abaixo de 5 (3% em 2016);
  • Setor com maior número de participantes: Serviços Pesados PME (46 fornecedores, atuando, sobretudo, com Tratamento de Resíduos);
  • Setor com menor número de participantes: Utilities (2 fornecedores de grande porte do segmento de Energia);
  • Melhores médias: Utilities – Grandes Empresas (9,01) e Indústria – Grandes Empresas (7,96)
  • Piores médias: Mineração – PME (6,43) e Serviços Pesados – PME (6,76);
  • Alterações na metodologia em relação a 2016: consolidação dos questionários em 5 setores (agrupando segmentos que possuem impactos socioambientais semelhantes), definição de pesos diferentes para Grandes Empresas e Pequenas e Médias Empresas, inclusão de três perguntas específicas relacionadas à questão de combate à exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes);
  • Maior aderência aos temas ligados à regulação e legislação (Conformidade, Saúde e Segurança e Meio Ambiente) e pior aderência aos temas de Gestão e Relacionamento com o Entorno;
  • Diferenças em relação ao porte das empresas: no setor de Indústria, por exemplo, enquanto há pouca diferença na aderência aos temas de Conformidade, Saúde e Segurança e Meio Ambiente, a diferença é considerável nas questões relacionadas a Relacionamento com Entorno e à Gestão;
  • Diferenças em relação aos setores de atuação das empresas:  Indústria, Energia e Serviços Pesados têm avançado em diversos temas não obrigatórios, enquanto os setores de Serviços e de Mineração, embora tenham um elevado nível de aderência nas questões de Conformidade, ainda têm muito a avançar nas demais dimensões;
  • Quanto à evolução dos participantes no GFD, dos fornecedores integrantes pelo segundo ano, 60% apresentaram melhora nos resultados. A concentração das piores notas ocorreu entre os que participaram pela primeira vez, em especial empresas do setor de Mineração.O Relatório Anual da Duratex, publicado desde 2004, tem como objetivo divulgar ao mercado e à sociedade como a empresa gera valor para todos os seus públicos de relacionamento, por meio de seus processos, produtos e serviços. O intuito é demonstrar, de forma clara e objetiva, como são gerenciados os riscos e potencializados os benefícios econômicos, sociais e ambientais do negócio e também como são definidos a estratégia, os investimentos e a forma de gestão da companhia.
Para mais informações sobre o programa GFD clique aqui.
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