Twitter – Solução para o Gerenciamento de Informações
Outro dia me perguntaram o que eu estava fazendo no twitter. Essa pergunta me incentivou a formalizar a importância dessa ferramenta. Então parto do grande problema da atualidade: administrar a imensa quantidade de informações disponíveis. O twitter representa uma ferramenta que materializa a regra básica para lidar com tal desafio: “se manter atualizado sobre a maior quantidade de temas que for possível e se aprofundar somente naquilo que realmente interessar”. O twitter permite que cada pessoa siga vários sites/blogs/pessoas com o objetivo de ter essa visão geral sobre muitas coisas e ler, com mais profundidade, o que de fato chamar a atenção. Ou seja, o twitter substitui de forma honrada o antigo clipping, colocando o mundo aos nossos pés. Quer dizer, aos nossos dedos. E porque de forma honrada? Porque são somente 140 caracteres. É eficiente. Não há espaço para prolixidade. Nada melhor do que um resumo de 140 caracteres de uma notícia ou mesmo de um anúncio, não é mesmo? O informante tem 140 caracteres para te convencer (ou não) a ler o que foi publicado por ele ou por outrem. Outro aspecto interessante do twitter é que ele é democrático, pois qualquer pessoa pode chamar a atenção para fatos que ela julgue importante para quem quer que seja. É uma mídia espontânea, que atinge uma legião de pessoas. É a volta da propaganda boca-a-boca, ou melhor, computador-a-computador. Mas é uma propaganda mais honesta, em seu conjunto, porque permite ressaltar os aspectos positivos e os negativos também. É eficaz, dado são as pessoas que buscam os informantes que lhe interessam. Você ainda precisa de mais argumentos para considerar o twitter o seu grande aliado no gerenciamento das informações?
Banco para quem precisa
Enquanto os vários setores da economia mundial se posicionam para atender cada vez mais as necessidades de seus clientes, os bancos insistem em ser “banco para quem não precisa de banco”. Se um cliente necessita, realmente, de dinheiro, os bancos, ao contrário do que se imagina, jogam fora todo o historio de bom pagador que seus clientes apresentam, negando ampliação das linhas de crédito a preços mais em conta. Além disso, cada dia de atraso nos créditos já concedidos passa a ser uma tortura para o cliente que não tem de onde buscar o recurso no curto prazo. Muitos clientes potenciais são jogados fora nesse momento importante de seu ciclo de vida. E o pior é que o concorrente também age de forma semelhante, não suprindo a necessidade do cliente. Portanto, não há concorrência. Um mercado extremamente rentável é jogado no lixo. Desse modo o Brasil segue com uma demanda reprimida de crédito que o impede de crescer. Se por um lado, os bancos não são representantes da economia real, por outro lado, ainda emperram o seu crescimento. E depois ninguém entende porque o PIB não cresce da forma como esperamos: ora, um país sem poupança, só poderia crescer por meio de crédito. Outro dia, ouvi um gerente de conta dizer: se desejar mais crédito, eu aconselho a procurar um concorrente. O interessante é que a maioria dos grandes bancos afirma perseguir o equilíbrio dos três pilares da sustentabilidade, no entanto, atuam quebrando (levar a falência) um segmento de clientes que realmente seria a sua galinha dos ovos de ouro e a mola que impulsionaria o progresso do país. E como os bancos quebram aqueles que precisam? O processo é simples: primeiros eles emprestam, depois incentivam o uso do cheque especial, sem permitir qualquer outra opção mais em conta. Se o cliente está utilizando o cheque especial, o banco só apresenta um empréstimo mais barato, depois que o cliente atinge o limite do cheque especial. Simultaneamente eles incentivam o uso do cartão de crédito e dão a opção de parcelamento a taxas altíssimas. O parcelamento à uma taxa mais baixa só vem depois que o cliente quebra no cartão de crédito. Quanto o cliente está quebrado em tudo, com endividamento elevado, aí eles sacam da cartola um novo produto: o crédito renegociado. Resultado: cliente quebrado e, consequentemente, fonte de receita cessada. Ou seja, o pilar social da sustentabilidade organizacional foi negligenciado descaradamente. Gostaria de saber em que escola de Administração os executivos em exercício dos últimos anos se formaram que não aprenderam que se não tiverem clientes também quebram. Mas não para por aí: os ganhos têm de continuar e ainda crescer. Aí, os bancos esfolam a força de vendas, que são submetidos a metas insanas para buscar novos clientes que serão então extorquidos, revitalizando o ciclo. Sem o pilar social, o resultado econômico é sofrível, restando somente uma saída, mais fusões e aquisições para manter as velhas instituições financeira em pé. Estamos precisando no mundo de um banco novo. Um banco barato. Um banco para quem precisa de banco. Algo do tipo … GoogleBank… quem sabe…
Nem tudo o que reluz é ouro
Não é porque o seu modelo de negócio é lucrativo/rentável atualmente que você pode assumir que ele é sustentável. Há muitos negócios nascendo e maturando nos dias de hoje, que não são rentáveis ainda, mas que estão se firmando com visão de longo prazo, ou seja, buscando a perenidade. Estes se perpetuarão e serão muito rentáveis e não somente isso, eles serão consistentemente rentáveis.
Da mesma forma, há uma quantidade imensa de negócios rentáveis na atualidade, que geram inveja a muitos, mas que não se sustentarão no tempo. Desmoronarão, porque estão se construindo sobre o lixão da insanidade executiva. A primeira mudança no ambiente externo (ou até mesmo interno) à organização, mesmo que prevista e esperada, levará ao desmoronamento.
Observe e fique de olhos bem abertos, porque as empresas insustentáveis seguem um padrão interessante de formação antes de ruírem: elas nascem sozinhas, pequenas, crescem porque são lucrativas no curto prazo, mas aí não se sustentam e se unem para sobreviver, virando uma grande comunidade por meio de aquisições e aquisições e aí ficam enormes, poderosas, aparentemente lucrativas e nem o governo consegue detê-las e elas transgridem todas as regras do bom senso.
Exemplo de regras comumente transgredidas: o foco no cliente não é ético. O foco tem por objetivo sugá-lo ao máximo, até que eles morram de tanto comprar e não para mantê-los como compradores assíduos, sempre que eles (clientes) precisarem. As empresas esquecem que os clientes são pessoas, pensam e decidem de acordo com as necessidades deles (clientes) e quando percebem a explosão, reagem e se protegem. E os que assim não agem, morrem. De tal forma que deixam de ser clientes de qualquer modo.
O “respeito” aos empregados (que agora os executivos insistem em chamar de colaboradores para mostrar que estão preocupados com esses stakeholders) tem por objetivo descobrir como manipulá-los para que eles possam produzir mais para as empresas. Esquecem o simples: os empregados são pessoas (antes de serem empregados, são pessoas pertencentes a uma sociedade), tem raciocínio e vida própria, logo pensam e se comportam da maneira como crêem mais conveniente para eles (funcionários) e não para agradar o empregador. Os que assim não fazem, ficam apáticos, infelizes e da mesma forma não produzem o que é esperado. E o planeta? Já está mais que provado que também tem vida própria. Quando quer, ele reage e abala tudo que está pela frente.
Então, nem tudo que reluz é ouro, ou melhor, é sustentável.
A Educação na Era Digital
Elaborando minha dissertação de mestrado em Administração, me deparei com um artigo que abordava o tema da educação sob uma perspectiva que me chamou a atenção. Dizia o autor Mark Prensky em 2001 nos Estados Unidos: “Os estudantes de hoje não são mais as mesmas pessoas para as quais o sistema educacional foi preparado.”
Infelizmente esse não é uma característica exclusivamente americana. No Brasil, os professores estão tentando sobreviver depois da drástica mudança provocada pelo asteróide digital que se chocou com a terra e mudou o clima cultural do planeta, nos empurrando para uma hipercultura.
À geração contemporânea de professores foi apresentada à chamada tecnologia – computadores, telefones celulares ou qualquer sistema de informação, incluindo aí a internet. Chega a ser um paradoxo: a geração que foi criadora desse “mundo” digital assistiu ao processo que o tornou independente e com cultura própria e fortemente diferenciada. É como se a criatura se virasse contra o próprio criador. O fato é que, de repente, olha-se em volta e percebe-se um ambiente “adverso” (ou melhor, simplesmente diverso) que emergiu da tecnologia e salta aos olhos a dificuldade para lidar com ele. Para sobreviver é necessário começar a aprender uma nova cultura, que apresenta uma forma profundamente diferente de comunicação, um novo idioma hipercultural.Vale aqui ressaltar, o quanto é difícil aprender um novo idioma. As “janelas” de aprendizagem vão se fechando na medida em que a idade avança, porque nos fechamos a partir do que já aprendemos, já que recusamos jogar tanto “conhecimento” (ainda que velho) no lixo.
Como conseqüência, a maioria dos professores se comporta como imigrantes, com sotaques denunciadores, que variam de acordo com a exposição que cada um deles teve ao novo idioma hipercultural. E esse sotaque é o responsável por gafes culturais dos mais variados tipos. Outro dia, um colega, que precisava estudar um determinado tema, me perguntou se eu conhecia algum livro que pudesse auxiliá-lo. Olha aí um exemplo de um forte sotaque. A internet ainda não é a primeira opção para buscar informação. Primeiro recorre-se a alguém e depois à biblioteca (ou vice-versa). Esse sotaque, proveniente da “língua mãe”, pressupõe que os livros são mais críveis, que não há porcaria escrita em papel. Aí se traduz internet por concentrador de lixo eletrônico, ainda que se depare frequentemente com uma quantidade de livros inúteis, com informações equivocadas ou pelo menos duvidosas e, com frequência, obsoletas. E o preconceito em relação à internet leva a descartá-la e não é raro professores proibirem seus alunos de utilizar a grande rede em suas pesquisas. Graças a Deus, existe uma maioria de alunos que, em função do forte sotaque dos docentes, não compreendem a mensagem e continuam mergulhados na rede fazendo as suas descobertas.
É difícil para a cultura estabelecida na era industrial compreender que os atuais discentes se sentem como peixes fora d’água sem o mar de informações virtuais. Na semana passada, outro colega me perguntou se eu conhecia um bom treinamento para o uso do software Excel, sem jamais tê-lo acessado para entender o real nível de dificuldade. Declara-se com grande veemência a incapacidade para utilizar algo sem treinamento ou pelo menos sem manual de instrução. Esse tipo de sotaque decorre da linguagem aprendida na era industrial, na qual os aparelhos eram mecânicos, seus modelos eram estáveis, ou seja, eram necessários vários anos para aparecer o que a nova geração chama hoje de uma nova versão. Não havia versão beta disponível para uso. De modo que, qualquer erro podia ser fatal, por isso ler manual e treinar o uso eram fundamentais, quase uma questão de sobrevivência.
Impregnados por essa visão, não se percebe que a grande maioria dos softwares (acessados por meio dos hardwares) é do tipo plug and play, é só ligar e usar. E, da mesma forma, não é raro ouvir pessoas perguntando: “clico uma ou duas vezes nisso?”. Outras perguntam “é para clicar ou não no OK?” – mesmo quando esse OK é a única opção. Essa dúvida é natural em função da linguagem antiga, na qual o erro foi muito valorizado. Ao se fazer a tradução da cultura anterior para a atual hipercultura pensa-se na possibilidade de “clicar” algo “errado” e “quebrar” o programa ou o equipamento. Não se atenta para o fato de que na era digital normalmente basta reiniciar e pronto: tudo está resolvido. A nova geração não tem medo de errar e ressuscitou o velho método da tentativa e erro para quase tudo. Se for considerado que a geração da era industrial tem um verdadeiro pavor de tal método, verifica-se o quanto se torna difícil o entendimento entre ambas as gerações.
No ambiente de trabalho é comum o comportamento ambientalmente insustentável de imprimir emails para a simples leitura. E o mais grave é que na maioria das vezes solicita-se a tarefa da impressão a um nativo do ambiente digital. Imaginem o que eles devem pensar sobre essa solicitação?
Talvez a modernidade com os conceitos arraigados no que é concreto, na matéria, no positivismo, tenha engessado a geração da modernidade, que não percebe que o mundo ficou mais fluido (líquido), seja isto bom ou ruim. Mas é fato que não se pode perder tempo refazendo o que já está feito. O tempo deve ser dedicado a analisar, criticar e criar ou recriar.
E os alunos, então? Proibidos por professores de usar o conteúdo da internet para fazer seus trabalhos escolares, ficam estarrecidos. Há professores que vão mais longe. Para garantir o cumprimento do não uso da rede, exigem que os trabalhos sejam entreguem escritos à mão. Fundamentados pela boa intenção de que os alunos não se tornem alienados, preguiçosos e despersonalizados, são vistos pelos alunos como seres da idade da pedra lascada. Enquanto isso, pesquisas sinalizam que os jovens nem assistem mais TV e já estão até aposentando o email! Eles preferem a comunicação instantânea. A TV passa o que eles já viram na net e o email demora muito para ser respondido. Então, a pergunta que surge é: quem são os alienados?
E é cometendo essas gafes culturais e carregando esse sotaque pesado, que uma leva de imigrantes se aventura a ensinar aos nativos. Mas ensinar o quê? E de que forma? Os nativos cresceram interagindo e sua prática está norteada pelo recebimento de muitas informações de forma veloz, pela realização de várias atividades simultâneas, pelo jogo virtual, pela simulação de mundos e de seus personagens e, tudo isso acontecendo de forma leve e agradável. Assim, eles não podem ter a menor paciência para as aulas expositivas, que são apresentadas passo a passo de forma sequencial e nem para ler coisas óbvias como, por exemplo, a instrução para responder a um teste de múltipla escolha.
Seria cômico se não fosse trágico, mas são esses professores imigrantes digitais que estão tentando “(de) formar” a geração digital. É como estudar japonês no Brasil, mudar para o Japão e se aventurar a dar aula de japonês nas escolas formais para os nativos daquele país. Por quanto tempo, professores imigrantes digitais ainda sobreviverão no meio dos “escombros” causados pelo asteróide digital que atingiu o planeta industrial?