Mudanças climáticas impõem novos desafios à gestão da cadeia de valor

Sumário do Programa CDP Supply Chain lançado nesta quinta-feira, em São Paulo, mostra que grande parte das empresas ainda precisa evoluir na gestão de riscos e emissões, em colaboração com seus fornecedores e clientes

São Paulo, 5 de fevereiro de 2015 – A integração das mudanças no clima às estratégias de negócios é algo presente nas empresas, porém, ainda é necessário um avanço significativo para que as ações de mudanças climáticas deixem de ser entendidas como táticas e passem a ser tratadas como estratégicas pelas companhias em todo o Brasil. É o que mostra o sumário executivo da edição 2014 do Programa CDP Supply Chain no Brasil: “Gestão das mudanças climáticas na cadeia de valor: desafios e conquistas”, lançado pelo CDP (anteriormente Carbon Disclosure Project), organização internacional que atua junto a empresas,investidores e cidades de todo o mundo para prevenir as mudanças climáticas e proteger os recursos naturais.

De acordo com o relatório, poucas empresas possuem iniciativas ativas de redução de emissões. Por outro lado, os setores de Bens de Consumo, Financeiro, TI, Serviços de Telecomunicações e de Utilidades se destacaram ao longo do ano por apresentarem percentuais maiores de redução.

O documento foi elaborado pelo CDP em parceria com a Gestão Origami, também responsável por implementar a metodologia de scoring do CDP para avaliar as empresas participantes do Programa Supply Chain no Brasil. Para tanto, foram analisadas as respostas de 140 fornecedores brasileiros à solicitação de 66 empresas-membro do programa em 2014 e que representam US$ 1.3 trilhão em poder aquisitivo, e incluem organizações como Ford, Unilever, Walmart, Banco Bradesco, Braskem e Marfrig, entre outras.

No que diz respeito às metas de redução de emissões, 64% das grandes companhias afirmam não possuir metas ativas de redução de emissões. Já entre as pequenas e médias empresas, esse percentual sobe para 75%. No entanto, são os setores energético e de utilidades que se destacam pela maior propensão ao estabelecimento de metas de redução de emissões. O sumário identificou que o engajamento dos fornecedores sobre as emissões de gases de efeito estufa e estratégias de mudanças climáticas mostrou-se uma prática ainda incipiente, já que somente 13% das empresas de grande porte e 7% de pequeno porte mostram algum tipo de envolvimento.

Os dados mostram ainda que a incerteza regulatória e a falta de medição e reporte das companhias tende a ser maior em empresas mais engajadas e com maior exposição às questões climáticas, como os setores já regulados pela legislação nacional. No entanto, para pequenas e médias empresas e setores que ainda não inseriram a gestão climática em seu negócio, falta a percepção de que o tema integra o negócio e pode ser aproveitado como uma ferramenta para atingir novos mercados e práticas mais sustentáveis.

Cases de sucesso

Em 2014, foram selecionadas três empresas – de grande, médio e pequeno porte – para a elaboração de um estudo de caso em parceria com o Insper, uma instituição de ensino superior e pesquisa. Esses fornecedores foram engajados no Programa Supply Chain por indicação de empresas-membro, com as quais formaram parcerias na cadeia de valor.

Na medida em que cresce a pressão por produtos e processos menos intensivos em carbono, a competitividade de uma companhia será determinada pela sua habilidade de medir, gerir, reportar e reduzir suas emissões de carbono, adaptando sua estratégia de negócio aos riscos das mudanças climáticas. Apesar de complexa, essa tarefa tem proporcionado às empresas e seus fornecedores ganhos de eficiência em processos, redução de custos e, consequentemente, uma melhor performance econômica. É o que demonstram os cases do Grupo Libra Grupo (fornecedor da Braskem), da Mod Line Soluções Corporativas (fornecedor do Banco Bradesco) e da WEG (fornecedor da Marfrig).

Independentemente do porte da companhia, é possível integrar as mudanças climáticas à estratégia do negócio. Prova disso é o resultado final da avaliação da Mod Line Soluções Corporativas no Programa Supply Chain do CDP. A empresa caracterizada como pequena e média empresa (SME) obteve score A- no que se refere ao critério de desempenho na metodologia do CDP, que avalia a integração das mudanças climáticas à estratégia de negócio e a redução significativa de emissões. Esta é a primeira vez que uma empresa obtém essa pontuação no Brasil. Das 3.396 empresas respondentes no mundo ao programa Supply Chain, apenas 121 alcançaram essa nota.

“Este é um exemplo concreto de que não importa o setor de atuação, o tamanho e a origem da companhia. Qualquer empresa pode se tornar protagonista na busca de melhorias em seus processos e operações e também em sua cadeia de valor, visando reduzir emissões e impactos no meio ambiente e sociedade”, destaca Lauro Marins, gerente do Programa CDP Supply Chain Latin America.

 

Reconhecimento às boas práticas

O Programa Supply Chain é composto de um processo anual de aplicação de questionários, que resulta em informações dos fornecedores sobre mudanças climáticas, bem como estratégias de ação relacionadas com a água. Em 2014 foram convidadas 191 empresas no Brasil, sendo que 140 responderam ao questionário. O País é o terceiro maior em número de empresas convidadas/respondentes, atrás apenas dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Com o objetivo de valorizar as boas práticas do mercado demonstradas através do programa, o CDP reconheceu os fornecedores respondentes nos itens Transparência, Desempenho e Boas Práticas:

TRANSPARÊNCIA

Empresas

  • Companhia Energética Minas Gerais – CEMIG
  • Maittra ind. E com. De artef. De Papel Ltda.
  • Mod Line Soluções Corporativas ltda
  • Cryovac Brasil ltda
  • Ultrapar Participações S/A
  • AquapoloAmbiental S/A
  • Maquiplast Plasticos Especiais Ltda.
  • Global Service Vigilancia e Segurança Ltda.
  • Grafica Editora Aquarela S/A
  • Cpfl Energia S/A

DESEMPENHO

Empresa (Nota)

  • Mod Line Soluções Corporativas Ltda (A-)

BOAS PRÁTICAS

Empresas

  • Mod Line Soluções Corporativas Ltda
  • WEG S.A
  • Grupo Libra

Membros do CDP Supply Chain Brasil – Ciclo 2014

Banco Bradesco S/A

O desenvolvimento socioeconômico do País é um compromisso da Organização Bradesco que, de forma permanente, busca a sustentabilidade na gestão, nos negócios e nas práticas do dia a dia.  Signatário do Carbon Disclosure Project (CDP) desde 2006 e disseminador do Supply Chain Leadership Collaboration (SCLC) desde 2008, o Bradesco acredita que a iniciativa está alinhada à sua estratégia de desenvolvimento da cadeia de valor, bem como auxilia a Organização na gestão das emissões indiretas, que no ano de 2014 representaram 92,8% das emissões totais. Adicionalmente, engajar e incentivar os fornecedores à gestão e à divulgação de suas emissões de gases de efeito estufa (GEEs) é um dos objetivos do Banco, que anualmente aborda o tema em um evento que reúne Banco Bradesco, seus fornece e o CDP Brasil. Em 2014, 103 empresas foram convidadas a responder ao questionário.

Marfrig

O Grupo Marfrig, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, trabalha continuamente para tornar seus processos e atividades cada vez mais sustentáveis. Para atingir esse objetivo, estabeleceu seis dimensões estratégicas (ambiental, social, econômica, produto, tecnológica e cadeia de suprimentos) para direcionar todos os seus negócios nos 17 países onde atua, com 148 unidades de produção. Gerenciar os riscos e oportunidades criados por nossos produtos, certamente inclui trabalhar e desenvolver um relacionamento próximo aos nossos fornecedores, afinal mais de 95% das emissões de GEE de nossos produtos estão ligadas à cadeia de suprimentos. Em 2012, o Grupo Marfrig tornou-se empresa membro do CDP Supply Chain e convidou 53 fornecedores a proverem informações acerca de sua gestão de GEE e entendimento dos riscos climáticos a que estão expostos, além das oportunidades de melhoria. Esses fornecedores foram selecionados a partir de critérios que envolveram a exposição dos negócios da empresa a riscos climáticos e reputacionais, e a participação dos mesmos nos custos operacionais.

Braskem

A Braskem é a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. Com 36 plantas industriais distribuídas pelo Brasil, Estados Unidos e Alemanha, a empresa produz anualmente mais de 16 milhões de toneladas de resinas termoplásticas e outros produtos petroquímicos. Maior produtora de biopolímeros do mundo, a Braskem tem capacidade para fabricar anualmente 200 mil toneladas de polietileno derivado de etanol de cana-de-açúcar.  Trabalhar mudanças climáticas faz parte dos 10 macro objetivos dentro do planejamento estratégico em desenvolvimento sustentável da Braskem e, por isso, em 2012 a empresa tornou-se membro do CDP Supply Chain, convidando31 fornecedores selecionados a partir de critérios de criticidade junto à área de suprimentos. Para 2015, a meta da Braskem é aumentar o número de convidados para 250.

Sobre o CDP

O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que provê um sistema global único para que as empresas e cidades meçam, divulguem, gerenciem e compartilhem informações vitais sobre o meio ambiente. O CDP trabalha com as forças do mercado, incluindo 767 investidores institucionais com ativos na ordem de US$ 92 trilhões para motivar as companhias a divulgarem seus impactos no meio-ambiente e aos recursos naturais, assim como suas ações para reduzi-los, no programa Supply Chain, em 2014, foram 66 empresas-membro, com poder de comprar avaliado em US$ 1,4 trilhão, convidando mais de 6.500 fornecedores a reportar ao CDP. Atualmente, o CDP possui o maior volume de informações sobre mudanças climáticas e água do planeta e procura colocar estes insights na pauta das decisões estratégicas, dos investidores e das decisões políticas. Visite www.cdpla.net ou siga @CDPLatinAmerica para saber mais.

Informações à imprensa:

CDP

Mônica Pileggi

monipileggi@gmail.com

(11) 98537-6909

Recent Posts

Leave a Comment