O que a mudança climática tem a ver com o seu negócio?

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Entenda como as alterações no clima podem gerar lucro quando consideradas ou causar prejuízos importantes se ignoradas pela empresa.

Considerado por diversos estudos uma megatendência global, a mudança climática ganhou grande ênfase na esfera internacional e no âmbito dos negócios em 2005, com a entrada em vigor do Protocolo de Quioto e do mercado de carbono. Em 2007, com a publicação do 4º relatório do IPCC sobre ciência da mudança climática, do documentário “Uma Verdade Inconveniente” e do “Relatório Stern” sobre a Economia da Mudança Climática, o tema ganhou atenção do grande público e dos formuladores de políticas públicas.

Seguindo esse movimento, instituíram-se no Brasil leis e regulamentos nacionais e locais com o intuito de estabelecer parâmetros para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e para a adaptação aos efeitos da mudança climática. Isso demandará vultosos investimentos em inovação e novas tecnologias.

O Acordo de Paris, firmado em 2015, rege as medidas de redução de emissão de GEE que os países signatários devem perseguir a partir de 2020, por meio da implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, em inglês). No Brasil, discute-se, atualmente, a elaboração de uma Estratégia Nacional para a Implementação e o Financiamento da NDC no país. Adicionalmente, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, por meio do Projeto PMR, avalia os custos e benefícios de instrumentos econômicos para a precificação de GEE no país.

No âmbito dos negócios, iniciativas significativas ocorreram nos últimos dois anos visando principalmente a transparência. Destacam-se, principalmente, aquelas cujos objetivos contemplam a inclusão do tema na estratégia de negócio sempre que o mesmo for considerado material sob a ótica econômico-financeira.

São exemplos destas iniciativas: a Task Force on Climate-Related Financial Disclosures (TCFD) e o Boletim Técnico sobre Climate Risks da Sustainable Accounting Standad Board (SASB), que se somam à robusta base de dados climáticos do CDP (Driving Sustainable Economies) e aos investidores signatários dos Princípios de Investimento Responsável (PRI), entre outros.

Não obstante o histórico recente, a mudança climática ainda é incipiente, principalmente no âmbito da tomada de decisão de investimento. Riscos e oportunidades existem e precisam ser avaliados e incorporados nas análises de investimento em diversos setores econômicos. Da mesma forma, avaliar de que maneira inovações tecnológicas podem mitigar riscos ou gerar oportunidades pode significar a perpetuidade de determinados negócios.

Mudança climática

Em termos básicos, o processo de mudança climática começa com as ações das pessoas e termina com impactos sobre elas. Isso porque as atividades que realizamos emitem GEE. Como o planeta não tem como absorver toda essa emissão, as concentrações de GEE aumentam ano a ano. Assim, a energia térmica proveniente do sol fica presa na atmosfera causando o aquecimento. O aquecimento global, por sua vez, provoca mudanças no clima e no meio ambiente o que, por fim, afeta nossos meios de vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Clima de esperança

“Ao invés de debater consequências de longo prazo, vamos falar sobre ameaças imediatas. Ao invés de argumentar sobre fazer sacrifícios, vamos falar sobre como podemos ganhar dinheiro. Ao invés de meio ambiente versus economia, vamos considerar princípios de mercado e crescimento econômico. Ao invés de focar nos ursos polares, vamos focar em crianças com asma. Ao invés de colocar toda esperança no governo federal, vamos empoderar negócios, cidades e cidadãos para acelerar o progresso que eles já fazem por conta própria.”

O trecho acima é do livro recém-lançado Climate of Hope: how cities, businesses and citizens can save the planet, de Michael Bloomberg e Carl Pope (Clima de Esperança: como cidades, empresas e cidadãos podem preservar o planeta), ainda sem tradução para o português, e que propõe uma nova abordagem sobre o tema da mudança do clima.

Na obra, os autores também explicam a ciência da mudança climática, abordam questões sobre o ciclo de vida dos poluentes do clima, as discussões acerca das incertezas e dos argumentos dos céticos sobre o assunto, sobre os impactos previstos do aumento do nível do mar e do calor intenso em diversas cidades. “Essa parte é leitura obrigatória para os iniciantes no assunto. As partes seguintes são dedicadas a examinar a transição do carvão mineral para fontes de energia menos poluentes, atualmente em andamento nos EUA, e a oportunidades nos setores de transporte, investimentos, habitação, construção, alimentos”, destaca Vicente Manzione Filho, líder de projetos para Desenvolvimento Sustentável e Mudança Climática da Gestão Origami.

Soluções à indústria do carvão

As quatro razões de mercado pelas quais a indústria do carvão está perdendo espaço para o gás de xisto, energia eólica, solar e eficiência energética são:

– Bens substitutos: quando extraído de forma correta conforme a legislação ambiental, o gás é um combustível que emite menos que o carvão (e derivados de petróleo);
– Novas tecnologias estão mais baratas: entre 2008 e 2016 os custos da energia eólica caíram 41%, solar 64% e iluminação LED 94%;
– Regulação apropriada: Clean Power Plan 2015 determinou que os estados reduzissem suas emissões em 32% em relação aos níveis de 2005;
– Demanda do consumidor: quando bem informados sobre os reais custos, as pessoas preferem respirar ar limpo e beber água sem poluentes.

Mercado em escala para carros elétricos

No setor de transportes, a abordagem é sobre os benefícios econômicos da diminuição do uso de carros nas cidades e da melhoria na eficiência dos motores a combustão. Mas o principal argumento em favor da transição para uma economia menos intensiva em carbono é a criação de um mercado em escala para veículos elétricos.

A taxação sobre o carbono pode não ser a melhor solução para reduzir o consumo de combustíveis de origem fóssil (gasolina e diesel), pois maiores preços e impostos não funcionam muito bem como desincentivos quando consumidores não têm escolha a não ser comprar o produto de qualquer forma. A indústria do petróleo controla o sistema de distribuição de combustíveis e inibe a competição. Nenhuma falha de mercado custa tanto ao mundo quanto essa, argumentam os autores.

A tecnologia de veículos elétricos já é uma realidade, mas ainda não possui a escala necessária para barateá-la. Consumidores não compram veículos elétricos também porque não sabem onde abastecer. Governos sabem como encorajar a competição por meio de incentivos. O exemplo mais recente é o mercado de energia elétrica proveniente de fontes renováveis. Para reduzir o custo de uma nova tecnologia, aumente o mercado capaz de compra-la.

Novos padrões de produção e consumo

Além das mudanças nos hábitos de consumo e produção no campo (alimentação a base de vegetais em contraposição a proteína animal, desperdício de alimentos e plantações com menor uso de fertilizantes), a cadeia de valor do setor de alimentos oferece algumas das mais promissoras soluções climáticas com benefícios mais imediatos: segurança alimentar, dietas mais saudáveis, paisagens mais verdes e maior segurança na oferta de água por meio da restauração florestal.

Os setores de habitação, construção, manufatura e alimentos também são mencionados na obra por meio de exemplos de novos modelos de negócios: financiamento e tecnologias, eficiência energética, substituição de materiais, reciclagem de concreto em larga escala etc.

“Ambas as visões, de Bloomberg, sob uma perspectiva de cidades e empresas, e de Pope, sob a ótica da sociedade civil, demonstram como é possível trazer o debate da mudança climática para a realidade das pessoas e dos negócios, e que é possível agir e com isso gerar benefícios importantes para todos”, resume Vicente.

Transparência para alocação eficiente do capital

Sob a ótica de investimentos a principal mensagem do livro é transparência: Quais empresas são mais vulneráveis à mudança climática? Qual o tamanho do impacto financeiro da mudança climática em um negócio? Em qual período de tempo? Quem está mais preparado? Quem está agindo e quem não está fazendo nada?

Atualmente é muito difícil, ou quase impossível responder a essas questões. E isso é uma falha de mercado. É a transparência que torna os mercados mais eficientes, permitindo que investidores avaliem as empresas com mais precisão.

Nas últimas décadas o surgimento de alguns índices de sustentabilidade servem de referência para investidores de todo o mundo, que estão dispostos a correr riscos desde que eles sejam conhecidos. Empresas com práticas sustentáveis, tanto no ambiente interno quanto na cadeia de suprimentos, costumam oferecer maior segurança e crescimento estável e acima da média a longo prazo. Alguns índices mais reconhecidos e críveis são o Dow Jones, da Bolsa de Nova York, o FTSE4Good, da Bolsa de Londres, e no Brasil o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da B3, com mais de 10 anos.

Monitoramento ambiental

A ferramenta de divulgação de dados ambientais do CDP é outro caminho em direção à transparência. O CDP é uma rede internacional com mais de 800 investidores signatários que juntos mobilizam mais de US$ 100 trilhões de dólares em ativos financeiros. O maior sistema de divulgação ambiental do mundo é pioneiro na sistematização desses dados: emissões, uso de energia, recursos naturais e riscos ambientais. Apenas no Brasil, o CDP já reúne mais de 400 empresas que utilizam os dados do sistema para reportar informações ambientais a investidores e clientes.

Parceira do CDP, a Gestão Origami apoia empresas e investidores a integrar a mudança climática em seu modelo de negócio, por meio de planejamento para a gestão efetiva do tema, estruturação da governança, metas e indicadores e avaliação de impactos financeiros de riscos e oportunidades. São mais de 180 projetos realizados com 77 clientes, no apoio à definição e implantação de estratégia de sustentabilidade e gestão de riscos na cadeia de suprimentos para empresas de grande porte. “Focamos no apoio aos clientes para a realização de todo seu potencial de geração e proteção de valor, alinhando suas estratégias e práticas de negócios sustentáveis. A Gestão Origami desenvolve abordagens inovadoras e eficazes para a realização de negócios com propósito”, explica Vicente Manzione Filho.

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