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	<title>Comunicação Sustentável</title>
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	<description>Notícias, histórias e reflexões sobre Comunicação &#38; Sustentabilidade</description>
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		<title>Organizando eventos sustentáveis</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 23:46:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eventos podem ser uma ótima oportunidade para avançar os temas de sustentabilidade, especialmente porque geralmente envolvem uma grande variedade de pessoas e empresas, entre fornecedores, organizadores e participantes. Mas o que levar em conta quando pensamos em organizar um evento que tenha elementos de sustentabilidade? Abaixo uma lista de critérios: Antes de começar Promova um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eventos podem ser uma ótima oportunidade para avançar os temas de sustentabilidade, especialmente porque geralmente envolvem uma grande variedade de pessoas e empresas, entre fornecedores, organizadores e participantes. Mas o que levar em conta quando pensamos em organizar um evento que tenha elementos de sustentabilidade?<span id="more-379"></span></p>
<p><strong>Abaixo uma lista de critérios:</strong></p>
<p><strong>Antes de começar</strong></p>
<ul>
<li>Promova um alinhamento no grupo responsável pelo evento para que todos entendam a importância da sustentabilidade e como ela afeta a organização do mesmo.</li>
<li>No planejamento do evento, defina quais metas de sustentabilidade quer alcançar (reciclagem de resíduos, maior acessibilidade, consumo eficiente de energia/água, neutralização de carbono etc.).</li>
<li>Registre o compromisso com a sustentabilidade nos materiais e comunicações que vierem a ser produzidos.</li>
<li>Para o seu evento, prefira locais que tenham políticas claras de compromisso com sustentabilidade. Por exemplo, descubra com o administrador se eles usam fornecedores locais, se tem políticas de conservação e uso eficiente de energia e água etc.</li>
<li>Escolha de preferência locais que garantam maior diversidade de meios de acesso (metrô, trem, ônibus, bicicleta etc.). Explique quais são estes meios nas comunicações do evento.</li>
</ul>
<p><strong>Para o evento em si:</strong></p>
<ul>
<li>Garanta que todas as pessoas envolvidas no evento estejam conscientes dos seus aspectos de sustentabilidade. É uma boa oportunidade de promover uma educação sobre o tema.</li>
<li>Procure fazer a maior parte possível da comunicação por meios eletrônicos, incluindo convites, “save dates”, folhetos etc. Imprima somente o estritamente necessário.</li>
<li>Se for usar papel, dê preferência aos que tenham sido fabricados pelo sistema TFC (totalmente livre de cloro – Total Chlorine Free) ou pelo menos no sistema ECF (Livre de Cloro Elementar – Elemental Chlorine Free) e que tenham o selo FSC, o qual certifica que sua produção segue as regras de preservação ambiental. Importante destacar que o simples fato de ser reciclado não significa que o papel seja mais sustentável, se ele tiver sido tratado à base de cloro. <a href="http://www.ecolnews.com.br/papel.htm" target="_blank">Saiba mais aqui</a>.<a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/12/62703yggefkumog.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-383 alignright" style="margin: 4px;" title="62703yggefkumog" src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/12/62703yggefkumog-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></li>
<li>Evite usar crachás de identificação elaborados em plástico ou materiais de resina. Prefira identificação feita em papel cartão reciclado, por exemplo ou até mesmo uma simples etiqueta. Peça aos participantes para deixarem seus crachás para serem reciclados.</li>
<li>Sempre que possível, prefira quadros brancos reutilizáveis aos flip-sharts e marcadores não-tóxicos à base de água. Evite, portanto, sempre que possível o desperdício de papel causado pelo uso de flip-sharts. Quer registrar o que está escrito nos quadros brancos? Tire uma foto e compartilhe.</li>
<li>Procure compartilhar online as apresentações feitas em vez de imprimi-las para distribuição física.</li>
<li>Sobre a alimentação, procure fornecedores que ofereçam opções orgânicas e/ou que usem verduras, legumes, frutas da estação preferencialmente provenientes de fornecedores. Faça uma estimativa a mais acurada possível das necessidades de alimentação dos participantes para evitar desperdício. <a href="http://www.dolceta.eu/portugal/Mod5/-A-alimentacao-como-recurso-.html" target="_blank">Saiba mais aqui</a>.</li>
<li>Procure usar utensílios para servir bebidas e comida que sejam reutilizáveis. Evite o acúmulo de materiais descartáveis.</li>
<li>Em todo caso, assegure-se de que todo resíduo produzido pelo evento seja corretamente separado e tratado. Uma boa ideia é promover uma triangulação com os administradores do local do evento e uma rede de catadores de resíduos.</li>
<li>Procure sinalizar claramente todos os pontos de deposição de resíduos recicláveis e não-recicláveis.</li>
<li>Da mesma forma, sinalize nos banheiros e outros locais públicos as recomendações para uso eficiente de água e energia.</li>
<li>Na decoração do local do evento procure usar plantas vivas, materiais naturais e ou reutilizáveis.</li>
<li>Pense em brindes que sejam efetivamente úteis e de preferência cujas fontes e processo de produção sejam sustentáveis. Hoje em dia está na moda distribuir sementes e mudas. Antes de fazer isso, pense se os participantes serão capazes de dar destinação efetiva a elas. Muita gente mora em apartamentos e não tem onde plantá-las adequadamente. Ou seja, acabam jogando-as no lixo.</li>
<li>Considere promover a neutralização do carbono gerado pelo evento. Há empresas no mercado que fazem o cálculo do carbono que será produzido e oferecem alternativas para promover sua neutralização. <a href="http://ambiente.hsw.uol.com.br/carbono-compensacao.htm" target="_blank">Saiba mais aqui</a>.</li>
</ul>
<p><strong>Depois do evento</strong></p>
<ul>
<li>Inclua na avaliação os elementos de sustentabilidade, especialmente as metas desejadas e os resultados alcançados e compartilhe esta informação não apenas internamente, mas publicamente, especialmente com os participantes. É uma forma de estimular ações semelhantes.</li>
<li>Reconheça o esforço de cada pessoa e/ou organização/empresa envolvida no alcance das metas.</li>
<li>Faça uma lista de “lições aprendidas” para ser compartilhada internamente e servir de referencia para futuros eventos sustentáveis.</li>
</ul>
<p>Deixe seu comentário com outras sugestões.</p>

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		<title>Economistas e sustentabilidade</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 14:05:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadão]]></category>
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		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
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		<category><![CDATA[Cidades e Soluções]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Muito boa a edição do programa Cidades e Soluções, apresentado pelo jornalista André Trigueiro, no qual três importantes economistas &#8211; Delfim Netto, Armínio Fraga e Rubens Ricúpero &#8211; falam sobre a relação entre economia e sustentabilidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito boa a edição do programa <a href="http://g1.globo.com/platb/globo-news-cidades-e-solucoes" target="_blank">Cidades e Soluções</a>, apresentado pelo jornalista André Trigueiro, no qual três importantes economistas &#8211; Delfim Netto, Armínio Fraga e Rubens Ricúpero &#8211; falam sobre a relação entre economia e sustentabilidade.</p>
<p><object width="480" height="360" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="quality" value="high" /><param name="FlashVars" value="midiaId=1495710&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=360" /><param name="src" value="http://s.videos.globo.com/p2/player.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="flashvars" value="midiaId=1495710&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=360" /><embed width="480" height="360" type="application/x-shockwave-flash" src="http://s.videos.globo.com/p2/player.swf" allowFullScreen="true" quality="high" FlashVars="midiaId=1495710&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=360" allowfullscreen="true" flashvars="midiaId=1495710&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=360" /></object></p>

<a href="http://twitter.com/?status=Economistas+e+sustentabilidade+http%3A%2F%2Fgestaoorigami.com.br%2Frenatoguimaraes%2F%3Fp%3D372" class="retweet-anywhere" title="Retweet este artigo" rev="" rel="372"><img src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/wp-content/plugins/retweet-anywhere/images/retweet.png" alt="Retweet" /></a>]]></content:encoded>
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		<title>Sustentabilidade, agora e no futuro: é possível ser 100% sustentável?</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 13:56:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
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		<category><![CDATA[TRIPLE BOTTOM LINE]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algumas semanas um jornalista da revista eletrônica me encaminhou umas perguntas relacionadas à sustentabilidade para uma reportagem que ele estava escrevendo e que foi publicada aqui. Estava revisando as respostas que enviei e acho que é valido compartilhá-las no Sustentanews. Vejam abaixo. O que é ser sustentável? Qual é o objetivo das ações sustentáveis? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Há algumas semanas um jornalista da revista eletrônica me encaminhou umas perguntas relacionadas à sustentabilidade para uma reportagem que ele estava escrevendo e que foi publicada aqui. Estava revisando as respostas que enviei e acho que é valido compartilhá-las no Sustentanews. Vejam abaixo.<span id="more-360"></span></em></p>
<p><strong><em>O que é ser sustentável? Qual é o objetivo das ações sustentáveis?</em></strong></p>
<p>Ser sustentável é fazer o “futuro, agora”. Ou seja, é ter uma visão de longo prazo e entender que esta visão tem de ser construída a partir de decisões e ações tomadas e realizadas agora. Isto serve tanto para empresas e governos, que trabalham (ou deveriam trabalhar) em cenários 10-20 anos, como para as pessoas, no seu cotidiano.</p>
<p>Pensemos, por exemplo, numa empresa de mineração, que começa agora seu ciclo de exploração de uma jazida mineral, o qual durará, vamos dizer, 70 anos. Esta exploração terá inevitavelmente impactos ambientais, econômicos e sociais, especialmente sobre as comunidades do entorno.</p>
<p>Ser sustentável, neste caso, implica, entre outras coisas, não apenas implantar processos ambientalmente adequados, mas pensar em qual será a herança deixada para as comunidades locais quando a mina fechar, daqui a 70 anos, o que é chamado de descomissionamento.</p>
<p>Será preciso pensar desde agora em ações que permitam às comunidades em questão desenvolver novas vocações econômicas, de forma a que, quando a mina fechar, deixe uma sociedade mais rica e diversa, e não “cidades fantasmas”, como acontecia no passado.</p>
<p>Ou seja, o objetivo de qualquer ação sustentável é garantir a perenidade do negócio em equilíbrio com as necessidades de proteção do meio ambiente e de enriquecimento da sociedade como um todo.</p>
<p><em><strong>É possível ser 100% sustentável?</strong></em></p>
<p>O ganho que a sustentabilidade traz é, paradoxalmente, o sentido de “imperfeição”. Com isso quero dizer que não existe empresa, governo, organização ou pessoa 100% sustentável. Nem nunca existirá. A nossa simples existência neste planeta, com a capacidade de intervenção e recriação do ambiente natural típica dos seres humanos, já faz com que tenhamos impactos.</p>
<blockquote><p><em>Não existe empresa, governo, organização ou pessoa 100% sustentável. Nem nunca existirá.</em></p></blockquote>
<p>A consciência desta realidade traz de novo à tona outro conceito, o de “processo”. Ou seja, podemos não ser 100% sustentáveis, mas devemos empreender todos os esforços possíveis e necessários para seguir nesta direção. A posição relativa em que cada pessoa, empresa ou governo está no processo de tornar-se sustentável dita o ritmo pelo qual este conceito – e suas práticas – se incorporam em nosso cotidiano.</p>
<p>Mas com toda certeza está perto o momento em que a sustentabilidade estará tão incorporada às políticas e práticas pessoais ou corporativas que não fará mais sentido sequer falar disso. Chamo isto de “otimismo realista”, no sentido em que o mundo não comporta uma opção diferente, se queremos seguir vivendo neste planeta.</p>
<p><strong><em>Como ser sustentável hoje em dia?</em></strong></p>
<p>Ser sustentável é parte de um processo de transformação e incorporação de soluções práticas que nos permitam manter uma relação de mais equilíbrio com o meio ambiente, ao mesmo tempo gerando e movendo riqueza econômica e benefícios para a sociedade.</p>
<p>Este processo, longe de ser um convite à inação, torna muito mais dinâmica e profunda a incorporação da sustentabilidade em nossas vidas. Por exemplo, o fato de se estar criando todo um novo mercado da chamada “economia verde”, de produtos e serviços com menos impacto no meio ambiente, mostra que é possível extrapolar a “boa intenção” por trás de muito do discurso da sustentabilidade para ações concretas que geram valor e riqueza para empresas e a sociedade.</p>
<p>Ser sustentável é também ter consciência de nossas limitações, pessoais e corporativas, e que, portanto, é necessário pensar de maneira coletiva e sistêmica. Isto quer dizer que, embora cada pessoa, empresa ou governo tenha sua responsabilidade individual, é na interação entre todos que os efeitos da sustentabilidade ganham alcance maior e ficam mais perenes.</p>
<p><strong><em>Sustentabilidade é sinônimo de reciclagem, de verde e de meio ambiente?</em></strong></p>
<p>Muita gente, de fato, continua associando a sustentabilidade com os temas especificamente ambientais, mas o conceito vai muito adiante disso. Do ponto de vista puramente técnico, a sustentabilidade é herdeira direta do debate global que ganhou corpo entre os anos 70 e 80 e que foi capturado pelo relatório Nosso Futuro Comum, lançado pela ONU em 1987.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 176px"><img style="margin: 4px;" src="http://www.thwink.org/sustain/deadlock/E1_OurCommonFutureCover.gif" alt="" width="166" height="245" /><p class="wp-caption-text">&quot;Nosso Futuro Comum&quot;: chamando a atenção mundial para a importância do desenvolvimento sustentável.</p></div>
<p>O Relatório apresentou o conceito de “desenvolvimento sustentável”, segundo o qual devemos explorar os recursos naturais e gerar riqueza econômica e social pensando não apenas no aqui e agora, nas nossas necessidades imediatas, mas também no amanhã, nas futuras gerações.</p>
<p>A ideia é a de que os recursos naturais são finitos e devem ser usados de forma equilibrada, “sustentável”, para garantir que as futuras gerações também possam usufruir deles. Afinal, a intervenção humana traz impactos que podem afetar cada vez a capacidade do planeta de prover os recursos necessários para nossa sobrevivência como espécie dominante.</p>
<p>Mas o fato é que estes efeitos já estão sendo sentidos agora mesmo pela humanidade, como se pode constatar pelo impacto das mudanças climáticas e da crise global de alimentos, apenas para citar alguns exemplos. Ou seja, não falamos mais apenas dos impactos das mudanças climáticas que afetariam as “futuras gerações”, por exemplo, porque nossas vidas hoje já estão sendo afetadas dramaticamente.</p>
<p>Neste contexto, o ganho positivo do conceito de “sustentabilidade” é trazer para o cotidiano a busca de um equilíbrio da ação humana não apenas sobre o meio ambiente, mas principalmente na economia e na sociedade.</p>
<p>Isso é resumido pelo conceito de “triple bottom line” (ou “tripé da sustentabilidade”), criado pelo economista inglês John Elkington, para fazer uma ligação entre o crescimento econômico, a proteção ao meio ambiente e o desenvolvimento da sociedade, elementos que estão na base da sustentabilidade.</p>
<p><em><strong>Quais são os mitos sobre a sustentabilidade corporativa?</strong></em></p>
<p>Alguns mitos que vão caindo por terra têm a ver com acreditar que executar ações típicas de filantropia e cumprir as exigências legais (trabalhistas, ambientais etc.) são suficientes para uma empresa se considerar sustentável. A sustentabilidade nos desafia a fazer mais, a ir “beyond complience”, ou seja, a fazer além do exigido legalmente. Não é mais possível, por exemplo, pensar em ações de investimento social privado que estejam descoladas do core business ou que sejam meramente filantrópicas.</p>
<p>Outro mito que está ruindo é o de pensar que a empresa tem todas as repostas e, especialmente, que controla o seu brand, sua marca, de forma total. Na verdade, a sustentabilidade surge em um momento da história no qual o controle social, ou seja, a capacidade de os cidadãos intervirem diretamente na sociedade ou nas empresas, está maior do que nunca.</p>
<blockquote><p>A sustentabilidade não é responsabilidade de um setor único da empresa; tem de fazer parte da sua cultura como um todo e de sua estratégia de negócios.</p></blockquote>
<p>A internet e as ferramentas de mídias sociais deram poder aos consumidores de desconstruírem as mensagens corporativas de tal forma que as empresas estão forçadas a serem mais transparentes e coerentes, queiram ou não. Longe de ser algo negativo, esta é uma oportunidade extraordinária de “chamar o consumidor para o jogo”, de iniciar processos de “cocriação, nos quais os próprios consumidores ajudam as empresas a melhorar seus processos e produtos.</p>
<p>Mais um mito que ainda persiste em alguns ambientes empresariais é o de que a sustentabilidade é um modismo, que logo passará, mas que por enquanto obriga a “marketear” bem, para “ficar na onda”. Isto é uma ilusão. A sustentabilidade veio para ficar e cada vez mais será incorporada como elemento fundamental de qualquer negócio.</p>
<p>O mais importante é entender que este conceito deve ser incorporado ao core business da empresa, permear todos os seus processos administrativos e produtivos e cascadear na cadeia de fornecedores. Ou seja, a sustentabilidade não é responsabilidade única de um setor da empresa. Ao contrário, tem de fazer parte da sua cultura como um todo e de sua estratégia de negócios.</p>
<p><em><strong>Como você vê as ações sustentáveis que estão sendo desenvolvidas no mercado? São eficientes? São reais?</strong></em></p>
<p>Evidentemente ainda há muito de “gren washing”, de “maquiagem verde”, quando empresas trombeteiam ações de sustentabilidade que não se traduzem em dados e benefícios reais. Isso é típico de um momento de transição, no qual o conceito ainda não está incorporado em sua essência no cotidiano das pessoas, governos e empresas.</p>
<p>Aconteceu algo semelhante há alguns anos, quando o conceito de qualidade total começou a entrar no vocabulário corporativo e dos consumidores – e tudo era “qualidade”. Hoje em dia sustentabilidade serve também para vender de tudo um pouco, incluindo motéis, crematórios, maquiagem e até sexo sustentável.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><a href="http://thegreenwashingblog.com/wp-content/uploads/2010/05/greenwash.jpg"><img src="http://thegreenwashingblog.com/wp-content/uploads/2010/05/greenwash.jpg" alt="" width="250" height="265" /></a><p class="wp-caption-text">Até o greenwahing tem o seu papel.</p></div>
<p>Mas eu diria que mesmo o green washing tem seu lado positivo, na medida em que inevitavelmente expõe as empresas que usam deste artifício ao escrutínio dos consumidores. Ou seja, elas acabam percebendo que traz melhor resultados investir em ações concretas e reais, em vez de ver suas reputações questionadas por anunciar medidas irreais, exageradas ou simplesmente falsas.</p>
<p>Aliás, um parêntesis: o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) anunciou suas novas regras para a publicidade que tenha com foco em sustentabilidade. escrevi sobre isso <a href="http://www.sustentanews.com/o-conar-e-as-novas-regras-para-a-publicidade-da-sustentabilidade/">aqui</a>.</p>
<p>O objetivo é evitar que o termo sustentabilidade seja usado fora de contexto, com isso impedindo anúncios que induzam o desrespeito ao meio ambiente ou que se baseiem em menções genéricas, vagas ou absolutas. Ao mesmo tempo valoriza o uso de informações verificáveis, comprováveis, “exatas e precisas”.</p>
<p>A nova norma do Conar traz ainda um anexo que trata especificamente dos apelos da sustentabilidade na propaganda, os quais devem estar vinculados a princípios como exatidão e clareza, comprovação de fontes, pertinência, e veracidade, entre outros.</p>
<p>É um instrumento adicional que o consumidor, e mesmo os concorrentes, têm em suas mãos para evitar a veiculação de propagandas de produtos e serviços “sustentáveis” que nada têm a ver com sustentabilidade.</p>
<p>Fica para as empresas o desafio traduzir suas ações efetivas de sustentabilidade de forma a que os consumidores compreendam sua amplitude e se engajem realmente, não apenas comprando os produtos e serviços, mas recomendando-os a outras pessoas. Ou seja, ajudando a criar um “circulo virtuoso” no qual as ações efetivas de sustentabilidade sejam reconhecidas e valorizadas, e o green washing seja exposto.</p>
<p><strong><em>Ações como evitar consumir produtos industrializados, evitar andar de carro, não utilizar sacolas plásticas contribuem para a longevidade do planeta?</em></strong></p>
<p>Particularmente não creio que “evitar o consumo” seja a resposta mais adequada. Especialmente porque não é realista, tanto do ponto de vista do consumidor, como do mercado. A questão é de como requalificamos o consumo de forma a que seja focado em produtos e serviços que tenham menor impacto sobre os recursos naturais e/ou os utilizem de maneira mais racional.</p>
<p>Tomemos o caso dos carros. Em um mundo ideal, o transporte individual deveria ser a exceção, porque é muito mais lógico que um transporte público funcional e bem organizado seja a primeira opção de qualquer pessoa para seus deslocamentos diários. Mas o provável é que os automóveis sigam sendo preponderantes ainda por muitos anos.</p>
<p>Sendo assim, faz todo o sentido o investimento em veículos que façam o menor uso possível de combustíveis fósseis (usem células de hidrogênio, eletricidade, sistemas mistos etc.) e tenham componentes que os tornem mais leves e fáceis de serem reciclados. Isto, sim, terá um impacto enorme de curto prazo na economia, sociedade e meio ambiente.</p>
<p>Agora, é possível realmente evitar o consumo de produtos industrializados? Voltar a uma época pastoril na qual conseguíamos consumir produtos in natura geralmente produzidos na mesmo região onde vivíamos? Ou usar roupas ou sapatos feitos localmente em pequenas oficinas e por aí vai? Honestamente, acho que não.</p>
<p>Isto simplesmente não é viável para suprir as necessidades de um planeta com a população em crescimento constante (seremos nove bilhões em 2050!). A única saída é cada vez mais investir em tecnologias e processos que usem de forma racional os recursos naturais, que distribuam melhor a riqueza, e que gerem um mercado no qual os consumidores efetivamente reconheçam os produtos e serviços sustentáveis e os premiem adquirindo-os e disseminando-os em suas redes de relações.</p>
<p>Assim, pouco a pouco vamos gerando espaço para uma verdadeira “economia verde”, baseada, é claro, em boas ideias e intenções, mas principalmente baseada em um mercado que gere retorno financeiro real para quem nele investe e, consequentemente, benefícios para toda a sociedade.</p>

<a href="http://twitter.com/?status=Sustentabilidade%2C+agora+e+no+futuro%3A+%C3%A9+poss%C3%ADvel+ser+100%25+sustent%C3%A1vel%3F+http%3A%2F%2Fgestaoorigami.com.br%2Frenatoguimaraes%2F%3Fp%3D360" class="retweet-anywhere" title="Retweet este artigo" rev="" rel="360"><img src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/wp-content/plugins/retweet-anywhere/images/retweet.png" alt="Retweet" /></a>]]></content:encoded>
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		<title>A Barbie, uma devastadora de florestas? Nova campanha do Greenpeace tem como alvo a Mattel</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jun 2011 01:23:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Mattel]]></category>

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		<description><![CDATA[O Greenpeace lançou uma campanha muito bem bolada, que inclui vídeos no Youtube, website especial e extenso uso de mídias sociais para pressionar a multinacional fabricante de brinquedos Mattel a parar de usar produtos florestais da Indonésia na confecção das embalagens do famoso casal Ken &#38; Barbie. A acusação do Greenpeace é de que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/06/angry_ken.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-346" style="margin: 4px;" title="angry_ken" src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/06/angry_ken.jpg" alt="" width="198" height="209" /></a>O <a href="http://www.greenpeace.org" target="_blank">Greenpeace</a> lançou uma campanha muito bem bolada, que inclui vídeos no Youtube, website especial e extenso uso de mídias sociais para pressionar a multinacional fabricante de brinquedos <a href="http://www.mattel.com/" target="_blank">Mattel</a> a parar de usar produtos florestais da Indonésia na confecção das embalagens do famoso casal Ken &amp; Barbie.<span id="more-345"></span></p>
<p>A acusação do Greenpeace é de que a Mattel compra insumos florestais para fabricar as embalagens da Barbie da empresa Asia Pulp and Paper (APP), uma subsidiária do Sinar Mas Group, que há tempos está na mira da entidade ambientalista por ser, segundo o Greenpeace, uma “notória destruidora de florestas tropicais”.</p>
<p>A Sinar Mas era a mesma fornecedora de óleo de dendê envolvida na campanha anterior contra a Nestlé e o chocolate Tik Tak, cujo caso <a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/comunicacao/sustentabilidade-controle-social-gerando-desafios-e-oportunidades/" target="_blank">analisei em um outro post.</a></p>
<p>Um vídeo feito pelo Greenpeace <a href="http://youtu.be/9hXpIhMG15g" target="_blank">mostra o desespero do Ken </a>ao descobrir a participação da Barbie na devastação de florestas. Um segundo vídeo mostra a <a href="http://youtu.be/bf8ACRiKRgQ" target="_blank">ação da entidade ambientalista na sede da Mattel </a>e a chegada da própria Barbie em carne e osso, para defender sua empresa.</p>
<p>A <a href="www.greenpeace.org/ken" target="_blank">página da campanha </a>manda o visitante primeiro para a fanpage do Greenpeace no Facebook, de onde está sendo coordenada a ação nas mídias sociais. Há diversas opções, como a “Unlike Barbie”, a possibilidade de pegar uma profile pic do “Angry Ken” e de mandar uma petição por email para o CEO da Mattel (cuja caixa de emails deve estar superlotada agora).</p>
<p><object width="425" height="350"><param name="movie" value="9hXpIhMG15g"></param><param name="wmode" value="transparent" ></param><embed src="http://www.youtube.com/v/9hXpIhMG15g" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p>A campanha foi lançada no dia 7 de junho, com a ação na sede da empresa. No dia seguinte, a empresa<a href="http://latimesblogs.latimes.com/greenspace/2011/06/greenpeace-campaign-targets-mattel.html" target="_blank"> lançou um comunicado público</a> lamentando que o Greenpeace tenha tomado este “inflammatory approach” e dizendo que já estava em conversa com a entidade ambientalista.</p>
<p>No dia 10 de junho<a href="http://articles.latimes.com/2011/jun/10/business/la-fi-mattel-greenpeace-20110610" target="_blank"> a empresa veio a público com novo statement </a>dizendo que não compra diretamente da Sinar Mas, e sim de um grupo diverso de fornecedores e que não é política da empresa ditar de onde estes provedores compram seus insumos. E complementou:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;We have directed our packaging suppliers to stop sourcing pulp from Sinar Mas/APP as we investigate the deforestation allegations.  Additionally, we have asked our packaging suppliers to clarify how they are addressing the broader issue in their own supply chains.&#8221;</em></p>
<p>O Greenpeace não ficou satisfeito com a resposta e quer que a empresa implante uma política global para lidar com o tema e parar de jogar toda a culpa sobre os provedores. Quer também que a Mattel  se comprometa publicamente em não usar insumos provenientes de florestas tropicais em suas embalagens e produtos.</p>
<p>Novos rounds desta briga seguirão, mas claramente a Mattel sentiu o golpe nas suas marcas icônicas: o casal Ken &amp;  Barbie. É um outro bom caso de controle social sendo potencializado pela internet e mídias sociais associado à imaginação e bom humor.</p>

<a href="http://twitter.com/?status=A+Barbie%2C+uma+devastadora+de+florestas%3F+Nova+campanha+do+Greenpeace+tem+como+alvo+a+Mattel+http%3A%2F%2Fgestaoorigami.com.br%2Frenatoguimaraes%2F%3Fp%3D345" class="retweet-anywhere" title="Retweet este artigo" rev="" rel="345"><img src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/wp-content/plugins/retweet-anywhere/images/retweet.png" alt="Retweet" /></a>]]></content:encoded>
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		<title>O Conar e as novas regras para a publicidade da sustentabilidade</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jun 2011 00:37:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A sustentabilidade é o termo da moda. Por ser tão fluido, vem servindo para vender qualquer coisa, incluindo motéis, crematórios, maquiagem e até sexo sustentável. O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deu um passo importante para ajudar a separar o joio do trigo, ao divulgar suas novas normas para a publicidade que tenha apelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/06/Conar.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-339" style="margin: 4px;" title="Conar" src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/06/Conar-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>A sustentabilidade é o termo da moda. Por ser tão fluido, vem servindo para vender qualquer coisa, incluindo <a href="http://www.revistahotelnews.com.br/2009/painel_do_mercado.php?id_mercado=334" target="_blank">motéis</a>, <a href="http://atitudesustentavel.uol.com.br/blog/2010/12/22/forno-crematorio-70-menos-poluente-chega-ao-mercado/" target="_blank">crematórios</a>, <a href="http://ecoocultura.blogspot.com/2010/09/natura-una-maquiagem-sustentavel.html" target="_blank">maquiagem</a> e até <a href="http://impressoesverdes.wordpress.com/2010/02/15/sexo-sustentavel-pelo-greenpeace/" target="_blank">sexo</a> sustentável. O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deu um passo importante para ajudar a separar o joio do trigo, ao divulgar suas novas normas para a publicidade que tenha apelo vinculado à sustentabilidade.<span id="more-338"></span></p>
<p>Com estas novas regras, os consumidores terão uma base mais concreta para questionar as propagandas que tentem vender produtos ou serviços que se dizem sustentáveis. Os profissionais vinculados à publicidade também se beneficiam das novas normas ao ter elementos mais concretos para desenhar suas campanhas de forma a que atender a padrões éticos reconhecidos pelo mercado.</p>
<p>A ideia é reduzir o espaço do uso da sustentabilidade na publicidade  a fim de evitar sua banalização ou situações que gerem confusão para os consumidores. Nesta linha ficam condenados anúncios que induzam o desrespeito ao meio ambiente ou que se baseiem em menções genéricas vagas ou absolutas. Ao mesmo tempo valoriza o uso de informações verificáveis, comprováveis, “exatas e precisas”.</p>
<p>Para o Conar, <em>“as informações devem ter relação com os processos de produção e comercialização dos produtos e serviços anunciados e o benefício apregoado deve ser significativo, considerando todo seu ciclo de vida.”</em></p>
<p>A nova norma traz também um anexo que trata especificamente dos apelos da sustentabilidade. Os oito princípios contemplados no Anexo são uma referencia valiosa para consumidores e publicitários:</p>
<p><strong>1. CONCRETUDE</strong><br />
As alegações de benefícios socioambientais deverão corresponder a práticas concretas adotadas, evitando-se conceitos vagos que ensejem acepções equivocadas ou mais abrangentes do que as condutas apregoadas.</p>
<p>A publicidade de condutas sustentáveis e ambientais deve ser antecedida pela efetiva adoção ou formalização de tal postura por parte da empresa ou instituição. Caso a publicidade apregoe ação futura, é indispensável revelar tal condição de expectativa de ato não concretizado no momento da veiculação do anúncio.</p>
<p><strong>2. VERACIDADE</strong><br />
As informações e alegações veiculadas deverão ser verdadeiras, passíveis de verificação e de comprovação, estimulando-se a disponibilização de informações mais detalhadas sobre as práticas apregoadas por meio de outras fontes e materiais, tais como websites, SACs (Seviços de Atendimento ao Consumidor) etc.</p>
<p><strong>3. EXATIDÃO E CLAREZA</strong><br />
As informações veiculadas deverão ser exatas e precisas, expressas de forma clara e em linguagem compreensível, não ensejando interpretações equivocadas ou falsas conclusões.</p>
<p><strong>4. COMPROVAÇÃO E FONTES </strong><br />
Os responsáveis pelo anúncio de que trata este Anexo deverão dispor de dados comprobatórios e de fontes externas que endossem, senão mesmo se responsabilizem pelas informações socioambientais comunicadas.</p>
<p><strong>5. PERTINÊNCIA </strong><br />
É aconselhável que as informações socioambientais tenham relação lógica com a área de atuação das empresas, e/ou com suas marcas, produtos e serviços, em seu setor de negócios e mercado. Não serão considerados pertinentes apelos que divulguem como benefício socioambiental o mero cumprimento de disposições legais e regulamentares a que o Anunciante se encontra obrigado.</p>
<p><strong>6. RELEVÂNCIA</strong><br />
Os benefícios socioambientais comunicados deverão ser significativos em termos do impacto global que as empresas, suas marcas, produtos e serviços exercem sobre a sociedade e o meio ambiente &#8211; em todo seu processo e ciclo, desde a produção e comercialização, até o uso e descarte.</p>
<p><strong>7. ABSOLUTO</strong><br />
Tendo em vista que não existem compensações plenas, que anulem os impactos socioambientais produzidos pelas empresas, a publicidade não comunicará promessas ou vantagens absolutas ou de superioridade imbatível. As ações de responsabilidade socioambiental não serão comunicadas como evidência suficiente da sustentabilidade geral da empresa, suas marcas, produtos e serviços.</p>
<p><strong>8. MARKETING RELACIONADO A CAUSAS</strong><br />
A publicidade explicitará claramente a(s) causa(s) e entidade(s) oficial(is) ou do terceiro setor envolvido(s) na parceria com as empresas, suas marcas, produtos e serviços.</p>
<p>O anúncio não poderá aludir a causas, movimentos, indicadores de desempenho nem se apropriar do prestígio e credibilidade de instituição a menos que o faça de maneira autorizada.</p>
<p>Mais informações o site do <a href="http://www.conar.org.br" target="_blank">Conar.</a></p>

<a href="http://twitter.com/?status=O+Conar+e+as+novas+regras+para+a+publicidade+da+sustentabilidade+http%3A%2F%2Fgestaoorigami.com.br%2Frenatoguimaraes%2F%3Fp%3D338" class="retweet-anywhere" title="Retweet este artigo" rev="" rel="338"><img src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/wp-content/plugins/retweet-anywhere/images/retweet.png" alt="Retweet" /></a>]]></content:encoded>
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		<title>Sustentabilidade: controle social gerando desafios e oportunidades</title>
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		<pubDate>Thu, 19 May 2011 01:36:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mídias sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Nestlé]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo da internet 2.0, do marketing 3.0, da ubiquidade dos sistemas de comunicação e informação é uma janela de oportunidades e desafios para as empresas, organizações e governos sem igual na história da humanidade. Acabou-se o tempo em que a empresa tinha praticamente todo o controle sobre sua marca &#8211; e consequentemente sobre sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" style="margin: 4px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jw517AF40eA/TLy1dor3bPI/AAAAAAAAAHc/pSIhvk5RiPU/s1600/midias-sociais.jpg" alt="" width="300" height="224" />O mundo da internet 2.0, do marketing 3.0, da ubiquidade dos sistemas de comunicação e informação é uma janela de oportunidades e desafios para as empresas, organizações e governos sem igual na história da humanidade. Acabou-se o tempo em que a empresa tinha praticamente todo o controle sobre sua marca &#8211; e consequentemente sobre sua reputação. O que existe hoje é uma permanente construção coletiva, mediada pelo fenômeno das mídias sociais.<span id="more-327"></span></p>
<p>Com isso, as empresas, especialmente, estão frente a um paradoxo desafiador: por um lado são pressionadas pelo mercado e pela sociedade a adotar políticas e práticas de sustentabilidade que sejam efetivas e concretas. Por outro, ao se comprometerem publicamente, aumentam seu grau de exposição ao controle social.</p>
<p>As pessoas, individual ou coletivamente, estão usando cada vez mais do poder inédito de instantaneidade e capilaridade oferecido pelos diversos canais da internet para fazer valer seus pontos de vista – positivos ou negativos – sobre a atuação das empresas e organizações.</p>
<p>A alternativa de não fazer nada, de ficar quieto, existe, é claro. Mas não é realmente factível, especialmente para as empresas atuando em mercados competitivos e/ou cujo porte e modelo de operações afetam a vida de muitas pessoas ou mobilizam cadeia de valores complexas.</p>
<p>Se o seu competidor, por exemplo, tem política e práticas de sustentabilidade e as anuncia como diferencial de negócio é quase certo que o mercado como um todo, e seus consumidores diretos e indiretos, cobrarão uma ação imediata sua.</p>
<p>E é aqui que o controle social entra forte, turbinado pela chamada Geração Y, que valoriza a coerência e a inovação e cobra com bastante rigor a falta de nexo entre o discurso e a prática, entre o que se diz que faz e o que se faz de verdade.</p>
<p>Ou seja, quando falamos de sustentabilidade, “fazer” não é suficiente, “falar” não é o bastante. É preciso:</p>
<ul>
<li>fazer bem o que se diz que faz;</li>
<li>comunicar isso de maneira eficiente e inteligente;</li>
<li>escutar o que o mercado e os consumidores respondem;</li>
<li>gerar aprendizagem útil para reforçar e/ou modificar o que for necessário.</li>
</ul>
<p>No fundo, isto significa estar preparado para a reação do mercado e da sociedade com respeito a suas ações, ou até mesmo a sua falta de ações. Passa a ser vital para a perenidade do negócio desenvolver um pensamento estratégico alinhado a um plano de ação e uma estratégia de comunicação global voltada para escutar, aprender e envolver, mais do que simplesmente enunciar.</p>
<p>Afinal, nesse admirável mundo novo, reputações sólidas podem ser abaladas em questão de horas na velocidade dos 140 toques do Twitter.</p>
<p>No meu outro blog, o SustentaNews, <a href="http://www.sustentanews.com/como-usar-as-midias-sociais-para-gerar-transformacao-imediata-caso-greenpeace-x-nestle-traz-interessantes-pistas/" target="_blank">já havia analisado o caso da Nestlé,</a> cujo atributo de marca é o conceito de “Good Life, Good Food”. A empresa foi alvo há um pouco mais de um ano de uma campanha global da ONG ambientalista <a href="http://www.greenpeace.org.br" target="_blank">Greenpeace</a>, que a acusou de comprar óleo de dendê para a produção do chocolate Kit Kat junto à Sinar Mas, tida como uma das maiores destruidoras de florestas da Malásia.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><img class="  " src="http://weblog.greenpeace.org/makingwaves/GP0210P.jpg" alt="" width="288" height="192" /><p class="wp-caption-text">Ativistas do Greenpeace invadem auditório durante reunião anual dos acionistas da Nestlé. Fonte: Greenpeace</p></div>
<p>O Greenpeace focou sua ação no entendimento de que havia uma contradição entre discurso de sustentabilidade da Nestlé e a sua aplicação prática. Para isso, aliou o uso intensivo e coordenado das mídias sociais a estratégias mais tradicionais, como ativistas fantasiados de macacos em frente ao edifício onde acontecia a reunião anual dos acionistas.</p>
<p>A empresa sentiu o golpe potencial na sua reputação, reavaliou sua estratégia e em poucos dias se comprometeu a rever sua política de compras de forma a identificar e excluir companhias da cadeia de suprimento que detenham ou manejem “plantações ou fazendas de alto risco ligadas ao desflorestamento”.</p>
<p>Este é apenas um dentre vários exemplos possíveis que mostram a importância de se fazer um acompanhamento permanente das percepções públicas com relação às mensagens institucionais e, sobretudo, garantir que a comunicação reflita e reforce uma coerência real entre o que se diz e o que se faz.</p>
<p>Mais importante ainda: deve-se estar preparado para escutar de verdade o que seus diversos públicos de interesse têm a dizer e transformar esta informação em conhecimento estratégico e em aprendizagem real.</p>
<p>Com isso, o controle social passa a ser um poderoso aliado das empresas que pensam em investir seriamente em sustentabilidade.</p>

<a href="http://twitter.com/?status=Sustentabilidade%3A+controle+social+gerando+desafios+e+oportunidades+http%3A%2F%2Fgestaoorigami.com.br%2Frenatoguimaraes%2F%3Fp%3D327" class="retweet-anywhere" title="Retweet este artigo" rev="" rel="327"><img src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/wp-content/plugins/retweet-anywhere/images/retweet.png" alt="Retweet" /></a>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O transporte público e a convivência das gentes diferenciadas</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2011 17:49:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu morei em Nova York por um período curto de três meses há uns 15 anos, logo no início da minha vida profissional. Lembro que o que mais me impressionava na cidade não eram todas as incontáveis atrações turísticas, mas o sistema de transporte público, especialmente o metrô. Logo na primeira semana tratei de explorar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu morei em Nova York por um período curto de três meses há uns 15 anos, logo no início da minha vida profissional. Lembro que o que mais me impressionava na cidade não eram todas as incontáveis atrações turísticas, mas o sistema de transporte público, especialmente o metrô. Logo na primeira semana tratei de explorar o sistema ao máximo e cheguei a pegar os trens de todas as linhas. Não tinha medo nem de circular pela noite, apesar das recomendações contrárias de amigos.<span id="more-325"></span></p>
<p>Para mim, ter um sistema de transporte público que realmente funcionava era uma descoberta e tanto. Principalmente um sistema eminentemente democrático, que servia a ricos e pobres. Ficava fascinado quando havia alguma estreia importante ou noite de gala e via pelo metrô pessoas circulando em trajes de gala, vestidos longos e black-tie, algo absolutamente impensável no Brasil.</p>
<p>Eu vinha de uma cidade, o Rio de janeiro, onde o metrô foi construído basicamente para atender à classe média da Zona Sul carioca. Dos ônibus e trens não dá nem para falar. Os trens dos subúrbios eram a ante-sala do inferno e os ônibus, o caos que se pode imaginar, pouco mais do que carrocerias de caminhão adaptadas para carregar a massa humana, um barulho e calor infernais produzidos pelo motor dianteiro, ao lado do motorista. Ônibus como os de Nova York, que se abaixavam para facilitar o acesso de idosos? Nem sonhando.</p>
<div id="attachment_579" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.sustentanews.com/wp-content/uploads/2011/05/engarrafamento.jpg"><img class="size-medium wp-image-579" title="engarrafamento" src="http://www.sustentanews.com/wp-content/uploads/2011/05/engarrafamento-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">São Paulo: a cidade que não anda...</p></div>
<p>Agora morando em São Paulo vejo mais do que nunca como um sistema de transporte público eficiente é absolutamente fundamental para sustentabilidade de qualquer grande cidade. É uma questão de cidadania, saúde pública e até mesmo democracia, ao garantir o acesso de todos e todas ao direito básico de locomoção. Há muito tempo São Paulo deixou de ser a cidade “que não pode parar”, para virar a terra dos engarrafamentos, com seu trânsito movendo-se a 15km/h no máximo, em horários de pico.</p>
<p>Alguma coisa vem melhorando, com o retorno recente no investimento na expansão do metrô, criação de corredores exclusivos para ônibus, melhoria nos trens urbanos e uma tentativa de integrar todos estes meios de transportes, incluindo a criação da tarifa única. É “alguma coisa”, como falei, bem longe ainda de um sistema de transporte público que realmente atenda à cidade como um todo.</p>
<p><strong>Elitismo e civilidade</strong><br />
Mas a prova maior de que ainda falta muito para ter um sistema público realmente democrático é a decisão do governo estadual, <a href="http://idgnow.uol.com.br/internet/2011/05/11/metro-de-sp-desiste-de-estacao-em-higienopolis-e-discussao-pega-fogo-na-rede/" target="_blank">publicada pela Folha de São Paulo</a>, de transferir a construção de uma estação do metrô do tradicional bairro de Higienópolis para outro local, próximo ao estádio do Pacaembu. Há alegações técnicas, claro, especialmente de que a futura estação estaria localizada muito próximo de outras duas já existentes na região.</p>
<p>Mas a verdade é que já há alguns meses um grupo de moradores do bairro vem se mobilizando para impedir a construção de estação. As alegações mal disfarçam o elitismo e a absoluta falta de visão de cidadania e busca do bem comum. Nenhuma novidade, tal como não foi realmente novidade a submissão do governo aos interesses de um grupo social pequeno, mas muito poderoso e influente.</p>
<p>Basta lembrar que há alguns anos os moradores de outra região rica, dessa vez no bairro do Morumbi, se mobilizaram e conseguiram impedir a construção de uma estação do metrô na região. Os argumentos foram muito parecidos, entre eles o de “descaracterização” que seria causada pelo aumento da circulação de elementos estranhos ao bairro. É como bem resume uma moradora de Higienópolis, entrevista pela Folha de São Paulo: “Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”</p>
<p>Gente diferenciada&#8230; Sempre pensei que a essência da democracia fosse justamente a possibilidade de convivência de “gentes diferenciadas”. Entendo que dentro da minha casa eu apenas queira conviver com gente do meu circulo social e cultural, mas estamos falando do espaço público. É de se lamentar profundamente que o governo, que deveria zelar pelo interesse público, continue se submetendo de maneira tão servil aos interesses privados de determinados grupos sociais.</p>
<div id="attachment_576" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.sustentanews.com/wp-content/uploads/2011/05/churrascao.jpg"><img class="size-medium wp-image-576" title="churrascao" src="http://www.sustentanews.com/wp-content/uploads/2011/05/churrascao-300x165.jpg" alt="" width="300" height="165" /></a><p class="wp-caption-text">Churrascão da Gente Diferenciada no Facebook - mais de 32 mil pessoas já confirmaram presença...</p></div>
<p>Claro que o assunto já <a href="http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/05/11/churrascao-no-facebook-tem-mais-adeptos-que-assinaturas-contra-metro-em-higienopolis.jhtm" target="_blank">caiu nas redes sociais </a>e um “churrascão da gente diferenciada” está sendo convocada para acontecer na frente do tradicional Shopping Higienópolis. Até mesmo libelos antisemitas começaram a aparecer devido à tradição de Higienópolis como um bairro onde vive uma numerosa comunidade judaica. Ou seja, misturam-se alhos com bugalhos, faz-se muita galhofa no Twitter, Facebook e Orkut, mas tudo sem muita reflexão ou uma ação mais consistente para reverter a decisão ou para usar este episódio lamentável para forçar uma discussão mais séria sobre transporte público em São Paulo.</p>
<p>Quem sabe não veremos o dia em que um impoluto casal de Higienópolis tome o metrô de black tié e vestido longo para assistir uma estreia de gala na Sala São Paulo? Aí vou acreditar que São Paulo pode ser realmente uma metrópole civilizada e não este amontoado de guetos interligados por vias engarrafas em que está se transformando.</p>

<a href="http://twitter.com/?status=O+transporte+p%C3%BAblico+e+a+conviv%C3%AAncia+das+gentes+diferenciadas+http%3A%2F%2Fgestaoorigami.com.br%2Frenatoguimaraes%2F%3Fp%3D325" class="retweet-anywhere" title="Retweet este artigo" rev="" rel="325"><img src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/wp-content/plugins/retweet-anywhere/images/retweet.png" alt="Retweet" /></a>]]></content:encoded>
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		<title>Pouca sardinha pra muita brasa</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 13:25:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[A profusão de índices, relatórios e compromissos empresariais encabeçados pelos diversos atores da sustentabilidade reflete uma saudável multiplicidade ou já pede convergência? NOTA: escrevi este texto para a edição 51 da revista Página 22, editada pelo  Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-Eaesp. O original pode ser visto aqui. Princípios do Equador, GRI, ISE, ICC, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A profusão de índices, relatórios e compromissos empresariais encabeçados pelos diversos atores da sustentabilidade reflete uma saudável multiplicidade ou já pede convergência?<span id="more-319"></span></em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong><em>NOTA: escrevi este texto para a edição 51 da revista <a href="http://www.pagina22.com.br" target="_blank">Página 22</a>, editada pelo <a href="http://www.gvces.com.br/" target="_blank"> Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-Eaesp</a>. O original pode ser visto <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2011/04/pouca-sardinha-pra-muita-brasa/" target="_blank">aqui</a>.</em></strong></p>
<div id="attachment_563" class="wp-caption alignright" style="width: 162px"><a href="http://www.sustentanews.com/wp-content/uploads/2011/04/pagina22.jpg"><img class="size-full wp-image-563" title="pagina22" src="http://www.sustentanews.com/wp-content/uploads/2011/04/pagina22.jpg" alt="" width="152" height="204" /></a><p class="wp-caption-text">Capa da edição 51 da revista Página 22</p></div>
<p>Princípios do Equador, GRI, ISE, ICC, IAS, Global Compact, IBGC, IASCG, ISO 26000… Uma verdadeira sopa de letrinhas acompanha a profusão de indicadores, fóruns, movimentos e compromissos públicos que, ao longo dos últimos anos, vem embalando a consolidação da sustentabilidade como tema estratégico para empresas, governos e cidadãos.  No meio de tantas iniciativas não é muito fácil para neófitos – e mesmo para os profissionais que militam na área – processar o resultado de tantas medições e articulações.  Essa profusão de itens nas prateleiras do mercado da sustentabilidade reflete uma saudável diversidade ou expressa falta de objetivo e de convergência?</p>
<p>Se uma empresa resolve, por exemplo, produzir um relatório de sustentabilidade segundo os parâmetros da Global Reporting Initiative (GRI), buscar fazer parte da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&amp;FBovespa e, ainda, responder aos Indicadores Ethos, vai se defrontar com farta quantidade de trabalho ao preencher os questionários e formulários.  Os dados e informações normalmente não conversam entre si, o que acaba exigindo uma repetição de ações – que são parecidas, mas diferentes.</p>
<p>Além disso, se esta mesma empresa desenvolver uma política com relação ao tema de mudança climática, terá à disposição vários espaços de articulação, como o <a href="http://www.forumempresarialpeloclima.org.br/default.php" target="_blank">Fórum Clima</a> e o <a href="http://www.empresaspeloclima.com.br/" target="_blank">Empresas pelo Clima (EPC)</a>, e ainda diversas agrupações no âmbito estadual, muitas delas vinculadas ao <a href="http://www.forumclima.org.br/" target="_blank">Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas</a>.  Embora tratem de um tema comum, essas várias instâncias seguem dinâmicas próprias, com agendas específicas.</p>
<p>Os profissionais ouvidos por Página22 reconhecem que essa profusão de indicadores e compromissos vem cumprindo sua parte na consolidação de um conceito complexo e inovador, como o da sustentabilidade.  Mas acreditam que é chegado o momento de buscar uma melhor coordenação.  É o que defende o consultor Marcus Nakagawa, idealizador da <a href="http://abraprosus.blogspot.com/" target="_blank">Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade.</a> Para ele, é preciso haver uma espécie de consolidação dos indicadores, fóruns e compromissos, de forma a conseguir um entendimento e engajamento maior dos consumidores e da população em geral.</p>
<p>O consultor lembra que, quando ainda trabalhava em empresas, sentia que em muitas ocasiões era difícil traduzir esse monte de indicadores em dados palpáveis para os gestores, que são finalmente os que tomam as decisões.  Para ele, o tempo de um diretor é curto e, com muitos dados na mão, existe o risco de perder a oportunidade de convencimento.  “Por isso a importância de consolidar alguns desses indicadores e otimizar os congressos e fóruns, que se têm multiplicado muito nos últimos anos.”</p>
<p>Para as empresas fica, portanto, a missão de lidar com essa sopa de letrinhas, tornando-a palatável para seus públicos.  Claudia Malschitzky, executiva-sênior de Sustentabilidade do <a href="http://www.hsbc.com.br/1/2/portal/pt/sobre-o-hsbc/sustentabilidade" target="_blank">HSBC Brasil</a>, vê esse papel de maneira positiva.  Para ela, a sustentabilidade traduz um conjunto de conceitos e práticas que resultam em mudanças culturais e de comportamento que levam tempo para ser consolidadas.  Nesse contexto, o surgimento de indicadores cobrindo diversas áreas e fases foi uma etapa necessária.  “O processo de reporte tem um ponto positivo para a empresa porque direciona, dá um foco, indica qual é a trilha.”</p>
<p>A executiva destaca que muitas vezes as empresas têm boa vontade no sentido de desenvolver agendas estratégicas de sustentabilidade, mas não sabem o melhor caminho a seguir.  Para ela, os diversos indicadores cumprem justamente a função de ajudar as empresas a ser mais transparentes no relacionamento com seus stakeholders.  “Muitas vezes esses indicadores até transcendem o papel de ajudar na prestação de contas para condicionar a estratégia de posicionamento, de mudança cultural da empresa.”</p>
<p>O caráter de complementaridade dos fóruns e compromissos é um ponto positivo, na opinião de Bárbara Oliveira, coordenadora do programa Sustentabilidade Global, do<a href="http://www.gvces.com.br/" target="_blank"> Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-Eaesp</a>.  Ela vê como importante a cobertura dos diversos aspectos da sustentabilidade, até mesmo pelo fato de o Brasil ser um país muito diverso, cultural e geograficamente.  “Além disso, em um ambiente democrático como o nosso, é importante contar com múltiplas visões e ter acesso a fontes diversas de pesquisas, documentos e dados.”</p>
<p>Do ponto de vista das empresas, o maior desafio, na opinião da pesquisadora, é conciliar a demanda externa por tanta informação com a realidade interna de equipes enxutas ou até a ausência de profissionais dedicados ao tema da sustentabilidade.  “Vemos grandes empresas com apenas uma ou duas pessoas dedicadas ao tema.  Realmente, fica impossível para estes poucos profissionais estar a cada semana em um fórum diferente, dar conta da demanda por tantos indicadores e ainda atuar nos diversos setores da organização.”</p>
<p>É justamente por reconhecer essa dificuldade das empresas de lidar com a crescente demanda por informações de gestão e impacto no campo da sustentabilidade que o Instituto Ethos está trabalhando para lançar uma nova geração dos Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Corporativa.  Paulo Itacarambi, vice-presidente do instituto, explica que essa nova versão vai atualizar os indicadores e posicioná-los como uma plataforma, que até mesmo ajude as empresas a conciliá-los com a recém-lançada Norma de Responsabilidade Social <a href="http://www.iso.org/iso/social_responsibility" target="_blank">ISO 26000 </a>e, também, com as diretrizes da GRI.  “Com isso, esperamos simplificar o trabalho para as empresas, no sentido de gerar indicadores para uso comum dessas plataformas já consolidadas.”</p>
<p><strong>Direto ao ponto</strong></p>
<p>Consolidar indicadores de sustentabilidade e compromissos empresariais contribuiria para facilitar o entendimento da sociedade sobre a efetividade dessas ações, acredita o consultor Aerton Paiva, sócio da empresa de consultoria <a href="http://www.gestaoorigami.com.br" target="_blank">Gestão Origami</a>.  Para ele, os indicadores atuais, apesar de necessários, ainda estão, em sua maioria, muito voltados para medir a eficiência e a eficácia dos processos de gestão.  “Mas não conseguem medir os impactos reais, que, no final das contas, é o que as pessoas querem saber.”</p>
<p>Paiva diz que a Gestão Origami está trabalhando com seus clientes o conceito de one <em>page report</em>, pelo qual os diversos indicadores de gestão são contrapostos às tendências, desafios e oportunidades do setor de atuação da empresa, de forma a medir seus impactos concretos e a efetividade de suas estratégias de sustentabilidade.  “Consolidamos tudo isso em literalmente uma página, frente e verso, de forma que qualquer pessoa, mesmo que não domine todo o ferramental de indicadores, consiga entender.”</p>
<p>Claudia Malschitzky, do HSBC, concorda que estamos no caminho para uma nova geração de indicadores e compromissos que deixem mais transparente o impacto das ações e ajudem a comunicá-los melhor para as partes interessadas.  A matriz do banco na Inglaterra, por exemplo, produz um relatório de sustentabilidade de 25 páginas centrado nos compromissos assumidos e no que se conseguiu entregar efetivamente.  “Estamos em um momento no qual os <em>stakeholders</em> querem ver na prática o que a empresa promete.  No nosso caso, de que forma emprestamos o dinheiro, como nossa carteira de crédito está sendo gerida etc. E os indicadores e compromissos têm de ser cada vez mais capazes de espelhar essa realidade.”</p>

<a href="http://twitter.com/?status=Pouca+sardinha+pra+muita+brasa+http%3A%2F%2Fgestaoorigami.com.br%2Frenatoguimaraes%2F%3Fp%3D319" class="retweet-anywhere" title="Retweet este artigo" rev="" rel="319"><img src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/wp-content/plugins/retweet-anywhere/images/retweet.png" alt="Retweet" /></a>]]></content:encoded>
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		<title>O desafio da sustentabilidade na indústria de vestuário</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 11:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já parou para pensar em como é feita a roupa que você está usando agora? De onde foi tirado o algodão ou como foi fabricada a fibra sintética? Quanta gente foi envolvida no processo de fabricação e em que condições de trabalho? Quantos quilômetros esta peça que você está usando teve de viajar – e, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/04/Fashioning_Sustainability1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-307" style="margin: 4px;" title="Fashioning_Sustainability" src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/04/Fashioning_Sustainability1-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>Já parou para pensar em como é feita a roupa que você está usando agora? De onde foi tirado o algodão ou como foi fabricada a fibra sintética? Quanta gente foi envolvida no processo de fabricação e em que condições de trabalho? Quantos quilômetros esta peça que você está usando teve de viajar – e, portanto, quanto CO2 produziu? Quantos e quais produtos químicos foram usados para dar a cor, o formato e a consistência que você tanto aprecia? Quanta energia foi usada no plantio, colheita e transformação das fibras naturais, ou na fabricação das fibras sintéticas, ou ainda no transporte, armazenamento e disposição nos displays de venda? E a lavagem e secagem cotidiana em nossas casas?<span id="more-297"></span></p>
<p>Muitas perguntas para um elemento – a roupa &#8211; que está de tal forma incorporado ao nosso cotidiano que se transforma, literalmente, na nossa segunda pele. Apesar disso, a indústria do vestuário é uma das mais importantes do mundo, movimentando anualmente mais de 1 trilhão de dólares  ao contribuir com 7% das exportações mundiais e empregar aproximadamente 25 milhões de pessoas. É também uma das indústrias mais insustentáveis, segundo o relatório <a href="http://www.forumforthefuture.org/library/fashioning-sustainability" target="_blank">“Fashioning Sustainability”</a>, lançado em 2007 pela ONG britânica <a href="http://www.forumforthefuture.org/" target="_blank">Forum for the Future </a>e de onde estes dados foram tirados.</p>
<p>O estudo indica que há dois elementos principais que tornam a indústria tão insustentável:</p>
<ul>
<li>A competição brutal, que joga para baixo preços e conseqüentemente os padrões de qualidade, aliada à alta volatilidade da moda, que torna o vestuário altamente descartável.</li>
<li>O outro elemento é a complexidade e opacidade da cadeia de suprimentos, através da qual os diferentes estágios de produção da indústria de vestuário são descentralizados mundo afora, terceirizados, quarteirizados, estendidos e expandidos de tal forma que fica difícil ter um controle real sobre os padrões de sustentabilidade envolvidos.</li>
</ul>
<p>Como reconhece o relatório, se as marcas ou as grandes lojas não conhecem a origem completa dos produtos que vendem, fica muito difícil identificar e garantir padrões de sustentabilidade no decorre de toda a cadeia de suprimentos.</p>
<p>O relatório identifica, então, os principais desafios de sustentabilidade em cada etapa do processo de produção, distribuição e comercialização do vestuário e propõe soluções para enfrentá-los.</p>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_300" class="wp-caption alignleft" style="width: 400px"><a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/04/Ciclo_de_Insustentabilidade_do_vestuario.jpg"><img class="size-full wp-image-300" title="Ciclo_de_Insustentabilidade_do_vestuario" src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/04/Ciclo_de_Insustentabilidade_do_vestuario.jpg" alt="" width="390" height="159" /></a><p class="wp-caption-text">A insustentabilidade no ciclo de vida da indústria de vestuário. Fonte: relatório Fashioning Sustainability.</p></div>
<p>Por exemplo, o algodão é a fibra natural mais usada para produzir roupas. Somente em 2005 a indústria como um todo consumiu a astronômica quantidade de 24 milhões de toneladas do produto. Para dar conta disso, ao menor custo possível, aposta-se naturalmente em produção intensiva e de larga escala e em um conjunto de blends (misturas) de fibras de diferentes fontes, o que torna a extremamente difícil determinar com clareza sua cadeia de produção.</p>
</div>
<p>O algodão demanda uma grande quantidade de água na sua produção. O relatório aponta que o manejo incorreto dos recursos hídricos no plantio do algodão resulta em até 10 toneladas de água necessária para produzir fibra suficiente para fabricar um único par de calcas jeans – ou 3.5 litros por um cotonete.</p>
<p>Neste contexto o manejo eficiente da água é vital para a sustentabilidade da indústria como um todo. O rastreamento do algodão e a certificação de origem é outra medida apresentada para ajudar compradores das indústrias e consumidores finais a fazer melhores escolhas baseadas na situação social e ambiental dos países de origem. O uso de outros tipos de fibras também é defendido, com destaque para a fibra da Canabis, por suas vantagens comparativas com relação ao algodão, segundo os autores do relatório.</p>
<p>A questão da força de trabalho ao longo da cadeia de produção da indústria do vestuário é também abordada no relatório, que mostra como péssimas condições de trabalho, baixo pagamento, uso de mão de obra infantil e/ou beirando a escravidão, entre outros fatores, são comuns nos ambientes quase invisíveis das pequenas oficinas de costura ou em galpões industriais espalhados geralmente em países pobres, a maioria na Ásia.</p>
<p>O já emblemático caso da Nike, que sofreu há alguns anos uma forte pressão popular pelo uso, por uma parte de seus fornecedores, de mão de obra em péssimas condições, é relembrado para mostrar como a indústria pode reverter a situação. Em 2004 a empresa deu literalmente nome aos bois, reconheceu publicamente a existência de problemas generalizados em sua cadeia de suprimentos e  implantou uma série de ações concretas para torná-la mais sustentável. Dentre elas atrelar os bônus de sua equipe de compras à garantia de respeito aos códigos de conduta laboral dos fornecedores de onde compram seus suprimentos.</p>
<blockquote><p><em>Mesmo aqui no Brasil, em São Paulo, os fiscais do Ministério do Trabalho volta e meia encontram trabalhadores estrangeiros, especialmente peruanos e bolivianos, sendo explorados, para não dizer triturados, pela mecânica da descentralizada indústria de vestuário.</em></p></blockquote>
<p>A globalização e a emergência de novos mercados consumidores faz com que estas péssimas condições de trabalho não sejam uma exclusividade dos países asiáticos. Por toda a América Latina é possível encontrar estas pequenas oficinas de costura com trabalhadores produzindo mecanicamente peças para a indústria de roupa. Mesmo aqui no Brasil, em São Paulo, os fiscais do Ministério do Trabalho volta e meia encontram trabalhadores estrangeiros, especialmente peruanos e bolivianos, sendo explorados, para não dizer triturados, pela mecânica da descentralizada indústria de vestuário.</p>
<p>Os autores do relatório procuram ver o lado positivo, sugerindo soluções e apontando para o papel fundamental que tanto consumidores como as grandes empresas de roupa têm para melhorar o sistema como um todo. É um poder combinado que pode impor um círculo virtuoso de sustentabilidade capaz de gerar um produto que é fundamental para cada um de nós, mas paradoxalmente é muito volátil.</p>
<p><strong>O Índice do Vestuário Sustentável</strong><br />
Um passo muito importante neste sentido foi dado há uns três meses com o lançamento da “<a href="http://www.apparelcoalition.org/" target="_blank">Sustainable Apparel Coalition</a>”, uma coalização que reúne os principais atores da indústria global de vestuimentas (as marcas globais, revendedores, fabricantes de roupas e calcados, ONGs, universidades e a agencia ambiental americana – EPA) para reduzir os impactos ambientais e sociais de produtos de vestuário e calçados em todo o mundo.</p>
<p>A Coalizão reconhece que nenhuma empresa individualmente consegue lidar com todos os aspectos da complexa cadeia de suprimentos do setor e que, portanto, é necessária uma ação conjunta baseada em metas claras, transparentes e quantificáveis. Os cinco pontos sobre os quais haverá uma atuação direta são:</p>
<ul>
<li>Uso racional da água e qualidade</li>
<li>Energia e gases de efeito estufa</li>
<li>Manejo de resíduos</li>
<li>Uso de químicos e toxicidade</li>
<li>Condições sociais e de trabalho</li>
</ul>
<p>A grande novidade é a criação de um indicador de sustentabilidade a ser aplicado de maneira uniforme em toda a cadeia de suprimentos global da indústria de vestuário: é o <a href="http://www.apparelcoalition.org/apparel-index" target="_blank">“Índice do Vestuário Sustentável – Sustainable Apparel Index”</a>. Neste momento, o índice funciona mais como um “indicador” que permite às empresas avaliar os tipos de materiais, produtos, instalações e processos com base em uma gama de práticas sociais e ambientais e de escolhas de desenho dos produtos. Está baseado em grande medida no <a href="http://www.ecoindexbeta.org/" target="_blank">Eco Index</a> e em uma ferramenta criada pela <a href="http://www.nikebiz.com/responsibility/nikeenvironmentaldesigntool" target="_blank">Nike de desenvolvimento de vestuário levando em conta questões ambientais e sociais</a>.</p>
<p>A idéia é que o Índice evolua para incluir métricas e metodologias para outras áreas, como uso de químicos e toxicidade, gerar indicadores sociais e laborais para a produção de matérias-primas e ser capaz, no final, de gerar a pegada de sustentabilidade de cada produto de forma individualizada.</p>
<p>Com isso, da próxima vez que você for comprar sua calça jeans encontrará uma etiqueta informando onde e como suas partes foram feitas, quais insumos foram usados, em que condições, qual é a pegada de carbono envolvida e por aí vai. Ficará por conta do consumidor fazer a melhor escolha dentre as várias opções existentes.</p>
<p>O Índice do Vestuário Sustentável ainda está em fase de desenvolvimento e, portanto, está longe de chegar ao Brasil. Mas basta lembrar que entre seus promotores estão gigantes como Adidas, C&amp;A, Gap, H&amp;M, JC Penney, Levi Strauss &amp; Co., Marks &amp; Spencer, Mountain Equipment, New Balance, Nike, Patagonia, Timberland e Walmart.</p>
<p>Ou seja, é bom as empresas brasileiras de produção e venda de vestuário ficarem com os olhos bem abertos e preparadas para lidar com uma realidade de maior transparência no negócio e de busca por uma cadeia de suprimentos capaz de oferecer um produto realmente sustentável.</p>
<div id="attachment_310" class="wp-caption alignright" style="width: 208px"><a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/04/QR_Code_Gestao_Origami.jpg"><img class="size-full wp-image-310 " style="margin: 4px;" title="QR_Code_Gestao_Origami" src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/04/QR_Code_Gestao_Origami.jpg" alt="" width="198" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Um QR Code como este será usado pelo consumidor para saber todas as informações de sustentabilidade do produto que está comprando.</p></div>
<p>Um índice como este criado pela Sustainable Apparel Coalition associado às novas tecnologias de comunicação e às mídias sociais dará ao consumidor um pouco mais consciente e engajado ferramentas fundamentais para botar a indústria em cheque.</p>
<p>Por exemplo, é quase certo que cada etiqueta será acompanhada por um QR Code, um código de barras especial que pode trazer todas as informações de sustentabilidade daquele produto individualizado. Um consumidor será capaz, então, de apontar seu celular para o QR Code, fotografá-lo e gerar na hora uma análise daquela peça, inclusive comparando-a com outras vendidas na mesma loja ou numa concorrente. Daí terá elementos em tempo real de tomar uma decisão de compra mais informada e que leve em conta, além de preço e qualidade, a sustentabilidade do produto.</p>
<p>Já imaginou se após verificar o QR Code da calça jeans você descobre que ela foi feita usando mão de obra escrava? Você pode até optar por comprá-la porque é bonita e barata, mas não poderá esquecer que sua compra ajuda a manter esta situação.</p>
<p>Para as empresas que vendem vestuário, a iniciativa de um índice de sustentabilidade deve ser encarada como uma excelente notícia. Primeiro porque vai ajudá-las a tomar decisões de compra melhor informadas e segundo porque ajudará os consumidores a separar o joio do trigo, premiando as empresas que fazem esforços sérios na direção da sustentabilidade de seus negócios.</p>
<p>É chegado o momento para o setor de vestuário ter um lucro que seja, também, socialmente transformador.</p>

<a href="http://twitter.com/?status=O+desafio+da+sustentabilidade+na+ind%C3%BAstria+de+vestu%C3%A1rio+http%3A%2F%2Fgestaoorigami.com.br%2Frenatoguimaraes%2F%3Fp%3D297" class="retweet-anywhere" title="Retweet este artigo" rev="" rel="297"><img src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/wp-content/plugins/retweet-anywhere/images/retweet.png" alt="Retweet" /></a>]]></content:encoded>
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		<title>Produção de alimentos, consumo de energia e sustentabilidade</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2011 03:46:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Guimarães</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A questão dos alimentos e da alimentação saudável está se tornando um tema de debate global, ao ponto de levar grandes empresas multinacionais do setor a revisar suas estratégias de negócios para produzir produtos com impacto menor sobre o meio ambiente e com melhores índices de “saudabilidade” (menor gordura, sal e açúcar, por exemplo). Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A questão dos alimentos e da alimentação saudável está se tornando um tema de debate global, ao ponto de levar grandes empresas multinacionais do setor a revisar suas estratégias de negócios para produzir produtos com impacto menor sobre o meio ambiente e com melhores índices de “saudabilidade” (menor gordura, sal e açúcar, por exemplo). Mas em tempos de aquecimento global, outro aspecto que vem gerando cada vez mais discussões é o impacto da produção, distribuição, comercialização e preparo de alimentos no consumo de energia, e conseqüentemente, na pegada de carbono.<span id="more-278"></span><br />
 <br />
Cresce com força nos Estados Unidos e Europa um movimento chamado <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Locavores" target="_blank">“Locavore”</a>, de valorização da “comida local”, ou seja, de estímulo ao consumo de produtos – até mesmo industrializados – produzidos com insumos da região onde vivem os consumidores e que tenham a mínima necessidade possível de deslocamento entre a produção e a mesa. Isto teria dois impactos práticos imediatos: o estímulo aos produtores locais e o impacto menor no uso de energia para produção, transporte e comercialização destes produtos.</p>
<p>Um <a href="http://www.businessinsider.com/food-energy-price-exposure-2011-3" target="_blank">artigo interessante publicado no “Business Insider” </a>procura jogar um pouco de luz sobre o tema de energia e produção e distribuição de alimentos, partindo da constatação que somente nos Estados Unidos a produção de alimentos é responsável por 15% do consumo nacional de energia e o item médio de alimento, por sua vez, viaja mais de oito mil quilômetros entre o campo e a mesa. Diante disso parece óbvio que é melhor, do ponto de vista energético, consumir produtos feitos e transportados localmente. Mas será mesmo?</p>
<p>O autor do artigo, Michael Bomford, professor da Kentucky State University e membro do <a href="http://www.postcarbon.org/" target="_blank">Post Carbon Institute</a>, procura provar que a adesão acrítica a este modelo pode, na verdade, levar a um consumo maior de energia. Ele cita a pesquisa <em><a href="http://www.ers.usda.gov/publications/err94/" target="_blank">Energy Use in the US Food System</a></em>, feita em 2010 pelo Departamento de Agricultura do governo americano, segundo a qual o sistema de alimentação é responsável por 14,4% de toda a energia consumida nos Estados Unidos.</p>
<div id="attachment_287" class="wp-caption alignright" style="width: 633px"><a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/03/grafico_alimentos_energia1.jpg"><img class="size-full wp-image-287" title="grafico_alimentos_energia" src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/03/grafico_alimentos_energia1.jpg" alt="" width="623" height="265" /></a><p class="wp-caption-text">Energia usada pelo sistema de alimentação proporcionalmente ao total de unergia consumida nos Estados Unidos em 2002. Fonte: Michael Bomford, baseado nos dados do relatório Energy Use in the US Food System.</p></div>
<p>Deste percentual o transporte é o menor responsável pelo uso de energia (em torno de 0,6%). Os principais vilões são o processamento dos alimentos, embalagem, venda e o preparo. Aliás, as cozinhas de nossas casas consomem mais energia (4,1%) para preparar os alimentos do que as fazendas para produzi-los (2,0%).</p>
<p>No que se refere ao transporte, fica evidente para o autor que mais importante do que a distância que o alimento percorre para chegar a nossas casas é a forma como ele é transportado. Neste contexto, alimentos que tenham cruzado longas distâncias em navios de grande porte, como cargueiros ou barcaças, que podem transportar grandes quantidades, usam menos energia por tonelada proporcionalmente do que os alimentos transportados por caminhões pequenos ou caminhonetes, que transportam menos alimentos em distâncias menores.</p>
<p>O resultado mais interessante do estudo, na verdade, é mostrar quais tipos de alimentos usam mais energia para ser produzidos. E neste quesito, os produtos industrializados de “junk food” (batatas chips, donuts, refrigerantes e cervejas etc.) são os campões: consomem mais de 50% da energia usada pelo sistema de alimentação. Um terço é consumido pelos produtos de origem animal (carne, ovos, laticínio, por exemplo). Apenas um sexto de energia é consumida na produção de frutas, grãos e cereais.</p>
<p>Em outras palavras, justamente os alimentos que trazem menos benefícios para a saúde são os que consomem mais energia para ser produzidos. Ou, como diz Michael Bomford, em seu artigo:<em> “comer bem não necessariamente requer muita energia; comer mal, sim.</em>”</p>
<p>Neste sentido, a diferença, em termos de consumo de energia, entre comprar alimentos em supermercados ou diretamente de produtores locais (em feiras-livres, por exemplo), não é tanto pela proximidade entre produtos e consumidor. O diferencial, na visão de Michael Bomford, é que os mercados consomem necessariamente mais energia ao vender majoritariamente produtos processados e embalados, além de ter uma estrutura artificial de iluminação, de aquecimento e resfriamento, entre outros elementos altamente consumidores de energia.</p>
<p>As feiras e mercados de venda direta dos produtores, ao contrário, geralmente usam pouca eletricidade e vendem produtos “in natura”, com pouca industrialização envolvida. Ou seja, estão fora do esquema de processamento, embalagem e comercialização típica, que consomem muito mais energia do que o transporte em si.</p>
<p>Claro que nem tudo é tão simples. Alimentos fora de estação produzidos localmente a partir do uso de luz artificial ou estufas gastam mais energia do que alimentos dentro da estação importados de outros lugares.</p>
<div id="attachment_289" class="wp-caption alignright" style="width: 626px"><a href="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/03/Daily_Calories_per_Capita.jpg"><img class="size-full wp-image-289" title="Daily_Calories_per_Capita" src="http://gestaoorigami.com.br/renatoguimaraes/files/2011/03/Daily_Calories_per_Capita.jpg" alt="" width="616" height="373" /></a><p class="wp-caption-text">Entrada per capita de energia no sistema de alimentos dos Estados Unidos, por grupo de alimentos e fase de produção, excluindo energia para uso doméstico. Fonte: Michael Bomford, baseado nos dados do relatório Energy Use in the US Food System.</p></div>
<p>E os alimentos orgânicos? Do ponto de vista energético fazem ainda mais sentido, já que seus produtores, em geral, reduzem em um terço o uso de energia ao não utilizar nitrogênio sintético como fertilizante. Mas, como lembra Bomford, um refrigerante feito de componentes “orgânicos” continua sendo um refrigerante. Como todo produto altamente processado, “mais energia é usada para produzir a lata de alumínio do que para plantar e produzir xarope de milho, seja orgânico ou não”.</p>
<p>O autor termina seu texto com cinco recomendações para os consumidores:</p>
<ol>
<li>Preferir alimentos naturais em vez dos processados.</li>
<li>Usar refrigerador eficiente no uso de energia.</li>
<li>Trocar produtos de origem animal por proteínas provenientes de grãos e vegetais.</li>
<li>Beber água de torneira em vez de bebidas processadas.</li>
<li>Escolher alimentos produzidos em regiões melhor adaptadas para o cultivo, usando métodos que protejam o solo e que dependam primariamente da luz solar para energia e da água de chuva para hidratar.</li>
</ol>
<p>Ou seja, a vida não é fácil para o consumidor que queira amenizar o impacto no consumo de energia dos alimentos que consome. Para as indústrias, principalmente as que trabalham com alimentos processados, a vida é ainda mais difícil, já que a essência do negócio, no seu aspecto de produção e distribuição, é necessariamente consumidora de energia.</p>
<p>Em termos práticos, acho muito difícil para a maioria dos consumidores implementar as recomendações dadas, por diferentes razões de fundo cultural, econômico, social, de falta de estrutura etc. Por outro lado, olhando o lado cheio do copo, as grandes indústrias de alimentos e bebidas têm feito esforços sérios no sentido de racionalizar o uso de água e energia nos seus processos produtivos.</p>
<p>Neste contexto, acredito muito mais na força do controle social de consumidores e governos no sentido de pressionar as indústrias para expandir ainda mais seus investimentos de inovação e racionalização no uso de energia.</p>

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